Orai por Ele: Fragmento de Machado de Assis (1895)

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O documento digitalizado apresenta o fragmento da narrativa Orai por ele Machado de Assis, uma obra emblemática publicada originalmente no jornal Gazeta de Notícias em 1895. Este material, disponibilizado pelo Acervo On-line, é uma peça fundamental para estudiosos da literatura brasileira e do Realismo, capturando a essência da crítica social machadiana através de um diálogo primoroso entre os personagens Pedro e Paulo após o enterro de um conhecido em comum, o comendador.

Contexto da Obra e Análise Literária

Neste trecho de Orai por ele, Machado de Assis utiliza a ironia para desmascarar as convenções sociais da elite carioca do final do século XIX. A narrativa começa com os personagens retornando do cemitério em direção à Praia de Botafogo, após sepultarem o comendador, vítima de tifo. O diálogo revela a construção de aparências: Paulo afirma que os discursos do falecido eram, na verdade, escritos pelo advogado do Banco Econômico e decorados pelo comendador para impressionar nas assembleias de acionistas.

Conflitos Morais e Econômicos no Final do Século XIX

O documento detalha nuances econômicas da época, mencionando valores como “quinze contos de réis” e taxas de juros de oito por cento. Pedro revela seu rancor contra o finado, chamando-o de “sovina” por ter negado um empréstimo, ao mesmo tempo que o comendador doava altas somas para as chamadas “festas do Paraguai”. Essa contradição entre a caridade pública e a dureza privada é um tema recorrente na obra de Machado, expondo a hipocrisia enraizada nas relações humanas e financeiras daquele período histórico.

Importância Histórica e Documental

Este arquivo representa a transição da literatura brasileira para o meio eletrônico, preservando a ortografia e a estrutura de diálogos característicos da época. A referência à Gazeta de Notícias não é apenas cronológica; situa a obra em um dos veículos mais importantes da imprensa brasileira, onde o autor publicou grande parte de sua produção crônica e contística.

Ao analisar o texto, percebe-se a precisão psicológica de Machado ao descrever o comendador como alguém que gostava de “latinórios” e citações jurídicas para ocultar sua falta de profundidade intelectual. O documento reafirma o gênio do autor em transformar uma conversa trivial dentro de um carro em um tratado sobre a moralidade burguesa. O arquivo completo para análise literária e consulta histórica está disponível para download aqui no Acervo On-line, permitindo que pesquisadores e entusiastas acessem este fragmento preservado da nossa memória cultural.

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