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“Não é mel para a boca do asno”: Uma Jóia Literária de Machado de Assis
O “Não é mel para a boca do asno” é um dos contos menos conhecidos, mas igualmente cativantes, do mestre Machado de Assis. Publicado originalmente em 1868 no prestigiado Jornal das Famílias, este documento que o Acervo Online disponibiliza gratuitamente mergulha o leitor nos costumes sociais e na atmosfera efervescente do Rio de Janeiro Imperial. Através de uma narrativa perspicaz e diálogos afiados, Machado nos convida a observar as nuances das interações humanas em um cenário marcante: a procissão de Corpus Christi.
O Contexto Histórico e Literário de “Não é mel para a boca do asno”
A década de 1860 foi um período de grande efervescência cultural e social no Brasil. O Rio de Janeiro, então capital do Império, fervilhava com a vida urbana, as festividades religiosas e o início de uma burguesia ávida por entretenimento e status. É nesse cenário que Machado de Assis, já um escritor prolífico, mas ainda em desenvolvimento, publicou este conto. Sua escolha por um evento como a procissão de Corpus Christi não é aleatória; ela serve como um pano de fundo vibrante e um ponto de encontro para diferentes camadas da sociedade, onde olhares, flertes e fofocas se misturam à devoção religiosa.
O Jornal das Famílias, veículo da publicação original, era uma revista que atendia aos interesses da elite e da classe média carioca, oferecendo literatura, moda, conselhos e entretenimento. A publicação de contos de autores como Machado nesse tipo de periódico era comum e fundamental para a formação do público leitor e para a consagração dos próprios escritores. “Não é mel para a boca do asno” exemplifica bem a maestria machadiana em capturar a psicologia humana e os dilemas sociais da época, mesmo em narrativas mais curtas.
Uma Análise dos Primeiros Capítulos
A Procissão de Corpus Christi e a Observação Social
A narrativa se inicia com a descrição da procissão de Corpus Christi, preparada com luxo pela igreja do Sacramento. As ruas do Sacramento, do Hospício e o Largo do Rocio estão tomadas por uma multidão que aguarda o cortejo. É nesse ambiente que somos apresentados a três moças na janela de uma casa no Rocio, duas delas irmãs – as Azevedos – e uma prima. A descrição física inicial, focando na morena de cabelos negros e na de tez clara e cabelos castanhos, rapidamente evolui para uma reflexão sobre a diferença das “duas almas”, um toque machadiano que sugere profundidade além da superfície.
A cena muda para dois rapazes, Meneses e Marques, que observam a casa da esquina da Rua do Conde. O diálogo entre eles é um primor de caracterização e ambientação, revelando não apenas a identidade das moças (“as Azevedos” e a prima) mas também as fofocas e os julgamentos sociais da época. A observação de Marques sobre a prima (“Não é feia”) e a resposta de Meneses (“Mas é uma cabeça de vento”) oferece um vislumbre da maneira como as mulheres eram percebidas e avaliadas. A menção aos locais como a Rua do Espírito Santo e a Rua dos Ciganos ajuda a ancorar a história em um Rio de Janeiro tangível.
Diálogos e Insinuações: O Flertar no Século XIX
O diálogo entre Meneses e Marques é o ponto central desta seção inicial. A dinâmica de suas conversas, cheias de insinuações e um certo jogo de adivinhação sobre os planos um do outro (“Vais para casa da tua Vênus”), expõe a natureza do flerte e das relações sociais da segunda metade do século XIX. A recusa inicial de Meneses em acompanhar Marques à casa das moças, seguida por seu olhar final à janela após se separar, revela uma complexidade psicológica que Machado de Assis tão bem explorava: a contradição entre o dito e o feito, a curiosidade e o desejo disfarçados de indiferença.
A chegada de Marques à casa e a pergunta sobre Dr. Meneses por uma das Azevedos indicam que as moças também estavam atentas aos rapazes. Essa reciprocidade de olhares e a sutil teia de interações sociais tornam o conto um estudo fascinante sobre os costumes da época. O título, “Não é mel para a boca do asno”, provavelmente um provérbio ou ditado popular da época, insinua uma lição ou uma ironia que só se revela com a leitura completa da obra.
Este documento, uma reprodução de alta qualidade do texto original, está disponível para download gratuito aqui no Acervo Online. É uma oportunidade imperdível para aficionados pela literatura brasileira mergulharem na prosa de Machado de Assis e apreciarem um fragmento da vida carioca do século XIX.

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