A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é um dos momentos mais decisivos para o candidato, exigindo não apenas domínio da norma-padrão da língua portuguesa, mas também a capacidade de construir uma argumentação sólida e bem fundamentada. Para isso, o uso estratégico de repertórios socioculturais é indispensável, pois eles enriquecem o texto, demonstram sua capacidade de conectar diferentes áreas do saber e conferem credibilidade às suas ideias.
Quando o tema proposto é a “pobreza menstrual”, a escolha de repertórios precisa ser assertiva e diretamente ligada às questões de saúde pública, dignidade humana, equidade de gênero e acesso a direitos básicos. Nesta proposta, você é convidado a redigir uma carta formal à Prefeitura de seu município, solicitando a adesão imediata à campanha “Dignidade Menstrual”, promovida pelo governo federal, visando combater a pobreza menstrual.
A seguir, apresentamos uma seleção de repertórios que podem ser utilizados para embasar sua solicitação, reforçando a importância da iniciativa e os impactos negativos da pobreza menstrual na vida de milhões de pessoas.
Repertórios para usar na redação
1. Sem Saúde (Música)
Esta música, muitas vezes associada à crítica social, retrata de forma contundente e irônica as fragilidades do sistema de saúde brasileiro. Ela expõe as dificuldades enfrentadas por pacientes e profissionais, a falta de recursos e a ineficiência que caracterizam, por vezes, o acesso à saúde no país. A letra pode ser utilizada para ilustrar a dimensão da negligência estatal em garantir direitos fundamentais, como a saúde e a dignidade.
Dica para a redação: Utilize essa canção para contextualizar a precariedade do sistema de saúde que, historicamente, falha em atender às necessidades básicas da população mais vulnerável, incluindo a questão da higiene menstrual. Ela serve como um ponto de partida para argumentar que a pobreza menstrual é mais uma face dessa crise estrutural.
Exemplo de uso na introdução:
Prezado(a) Senhor(a) Prefeito(a),
A música “Sem Saúde”, um retrato pungente da realidade brasileira, ecoa a voz de milhões que enfrentam a precariedade do sistema de saúde em nosso país. Essa melodia de crítica social, infelizmente, ganha novos acordes ao observarmos a alarmante situação da pobreza menstrual, uma face invisível, mas dolorosa, da desigualdade social. Diante desse cenário que compromete a dignidade e a saúde de meninas e mulheres em nosso município, venho por meio desta solicitar a imediata adesão da Prefeitura à campanha “Dignidade Menstrual”, uma iniciativa do governo federal essencial para mitigar os impactos desse grave problema de saúde pública.
2. Carta Para Além dos Muros (Documentário)
Este documentário explora a trajetória do vírus HIV no Brasil ao longo de três décadas, evidenciando não apenas os desafios médicos e científicos, mas, principalmente, o profundo estigma e a discriminação impostos às pessoas que vivem com a doença. A narrativa sublinha como a falta de informação, o preconceito e a marginalização social podem agravar uma crise de saúde, transformando-a em uma questão de direitos humanos e dignidade.
Dica para a redação: Este repertório é excelente para discutir o estigma social e a falta de informação que cercam a menstruação, especialmente em contextos de pobreza. Você pode traçar um paralelo entre a luta contra o estigma do HIV e a necessidade de desmistificar a menstruação, garantindo que não seja motivo de vergonha ou exclusão social e escolar.
Exemplo de uso na argumentação:
A pobreza menstrual não se manifesta apenas na ausência de absorventes, mas também na invisibilidade e no estigma que a envolvem. Assim como o documentário “Carta Para Além dos Muros” expõe o preconceito e a marginalização enfrentados por pessoas que vivem com HIV, a menstruação, quando associada à falta de condições básicas de higiene, se torna um tabu que silencia e isola. A ausência de diálogo e de acesso a informações adequadas perpetua um ciclo de vergonha, levando muitas meninas a faltarem às aulas e, consequentemente, comprometendo seu desenvolvimento educacional. Portanto, a adesão à campanha “Dignidade Menstrual” é um passo fundamental para romper esse silêncio e garantir que a menstruação seja tratada como um processo biológico natural, desprovido de estigma e com o suporte necessário para a saúde e bem-estar de todas.
3. UNAIDS
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) é uma iniciativa global que visa acelerar o fim da epidemia de HIV/AIDS. Sua atuação se baseia na promoção de medidas de saúde preventiva, acesso a tratamento e na defesa dos direitos humanos, combatendo a discriminação e o estigma associados à doença. O UNAIDS representa o esforço internacional coordenado para abordar uma crise de saúde pública sob uma perspectiva ampla, que inclui aspectos sociais e econômicos.
Dica para a redação: Utilize o UNAIDS como exemplo de organização internacional que atua na promoção da saúde preventiva e no combate ao estigma, mostrando que a pobreza menstrual também exige uma abordagem multidisciplinar e o reconhecimento como uma questão de direitos humanos e saúde pública, não apenas um problema individual.
4. DKT
A DKT International é uma organização sem fins lucrativos dedicada a promover a saúde sexual e reprodutiva em países em desenvolvimento. Por meio da distribuição de métodos contraceptivos e da educação em saúde, a DKT busca empoderar indivíduos a tomar decisões informadas sobre seus corpos e suas vidas. Sua missão se alinha com a ideia de que o acesso a informações e produtos de saúde reprodutiva é um direito fundamental.
Dica para a redação: Este repertório é altamente relevante. A pobreza menstrual está intrinsecamente ligada à saúde reprodutiva e à dignidade. Você pode usar a DKT para argumentar que, assim como o acesso a contraceptivos é vital para a saúde sexual e reprodutiva, o acesso a produtos de higiene menstrual é fundamental para a saúde e o bem-estar das mulheres e meninas, sendo uma questão de direitos reprodutivos e dignidade. A ausência desses recursos compromete a autonomia e a saúde feminina.
Leitura complementar:
5. Jonathan Mann
Jonathan Mann foi um médico e ativista dos direitos humanos, amplamente reconhecido como um pioneiro da Saúde Pública Internacional. Ele defendeu incansavelmente a equidade em saúde, argumentando que a saúde é um direito humano fundamental e que as desigualdades no acesso a ela são injustiças a serem combatidas. Sua visão integradora da saúde, que considera fatores sociais, econômicos e políticos, é um legado importante para a área.
Dica para a redação: Cite Jonathan Mann para reforçar a ideia de que a pobreza menstrual não é apenas uma questão de higiene, mas uma grave violação dos direitos humanos e da equidade em saúde. Sua perspectiva pode ser usada para argumentar que a falta de acesso a produtos menstruais é uma manifestação da desigualdade social que o poder público tem o dever de combater, garantindo a dignidade de todas.
Leitura complementar:
6. HumanizaSUS
A Política Nacional de Humanização (PNH), conhecida como HumanizaSUS, é um programa do Ministério da Saúde que busca qualificar e humanizar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Seu objetivo é valorizar os usuários, trabalhadores e gestores, promovendo um acolhimento digno, respeito às diferenças e participação ativa na gestão da saúde. A PNH defende que a atenção à saúde deve ir além do tratamento da doença, focando na integralidade do cuidado e na dignidade da pessoa.
Dica para a redação: O HumanizaSUS é um excelente repertório para argumentar que a campanha “Dignidade Menstrual” se alinha perfeitamente com os princípios de humanização e integralidade do cuidado. Você pode defender que a provisão de produtos de higiene menstrual e a educação sobre o tema são essenciais para um atendimento humanizado, que reconhece as necessidades específicas das mulheres e meninas e garante sua dignidade no âmbito da saúde pública.
7. Comissão Nacional de Saúde
A Comissão Nacional de Saúde (CNS) atua como um órgão governamental de controle social, responsável por formular e fiscalizar políticas públicas para o setor de saúde no Brasil. Sua função é garantir que as decisões sobre saúde sejam tomadas com base nas necessidades da população, promovendo a participação social e a transparência. A CNS desempenha um papel crucial na defesa do direito à saúde e na garantia da universalidade do acesso.
Dica para a redação: Cite a Comissão Nacional de Saúde para enfatizar a responsabilidade do poder público na formulação e implementação de políticas que garantam a saúde e a dignidade. Você pode argumentar que a pobreza menstrual é uma questão que demanda a atenção e a ação de órgãos como a CNS, e que a adesão à campanha “Dignidade Menstrual” demonstra o compromisso do município com as diretrizes de saúde pública e com a promoção do bem-estar social.
8. Grey’s Anatomy (Série de Televisão)
A aclamada série de televisão “Grey’s Anatomy” acompanha a vida pessoal e profissional de cirurgiões em um hospital ficcional, abordando uma vasta gama de temas de saúde, dilemas éticos e as complexidades do sistema de saúde. Embora seja uma obra de ficção, a série frequentemente explora questões de acesso à saúde, desigualdades no tratamento e a importância de uma abordagem empática e integral ao paciente.
“Grey’s Anatomy” é uma série de televisão de drama médico americana que foca nas vidas pessoais e profissionais de estagiários cirúrgicos, residentes e atendentes no fictício Hospital Seattle Grace. A série estreou em 27 de março de 2005, na ABC, como um substituto de meia temporada e foi renovada anualmente por duas décadas. Seu título é uma mistura do sobrenome da protagonista e do nome do clássico livro-texto de anatomia humana “Gray’s Anatomy”. A roteirista Shonda Rhimes desenvolveu o episódio piloto e atuou como showrunner, roteirista principal e produtora executiva até deixar o cargo em 2015. Ambientada em Seattle, Washington, a série é filmada principalmente em Los Angeles, Califórnia, e Vancouver, Colúmbia Britânica. O elenco original era composto por nove atores principais: Ellen Pompeo, Sandra Oh, Katherine Heigl, Justin Chambers, T. R. Knight, Chandra Wilson, James Pickens Jr., Isaiah Washington e Patrick Dempsey. Saiba mais
Dica para a redação: Embora “Grey’s Anatomy” seja ficção, você pode utilizá-la para ilustrar a complexidade do sistema de saúde e a necessidade de que os hospitais e unidades de saúde estejam preparados para oferecer um cuidado integral. Em um contexto de pobreza menstrual, a série pode servir para argumentar que a dignidade do paciente, em todas as suas facetas, deve ser uma prioridade, e que a falta de itens básicos de higiene menstrual em ambientes de saúde pública é uma falha que precisa ser corrigida.
Leitura complementar:
9. Yêda Maia de Albuquerque
Yêda Maia de Albuquerque é uma pesquisadora e profissional da área de saúde pública que contribuiu significativamente com avanços na epidemiologia e na compreensão dos desafios de saúde no Brasil. Seu trabalho exemplifica a importância da pesquisa científica e da análise de dados para identificar problemas, propor soluções e embasar políticas públicas eficazes. A expertise de pesquisadores como Yêda é fundamental para direcionar ações em saúde.
Dica para a redação: Use Yêda Maia de Albuquerque para enfatizar a importância da base científica e dos dados epidemiológicos na formulação de políticas públicas. Você pode argumentar que estudos e pesquisas, como os que fundamentam a campanha “Dignidade Menstrual”, são essenciais para compreender a dimensão da pobreza menstrual e para desenvolver intervenções eficazes, mostrando que a decisão da Prefeitura seria embasada em conhecimento técnico e científico.
10. Sob Pressão (Série de Televisão)
A série brasileira “Sob Pressão” oferece um olhar cru e realista sobre o cotidiano de profissionais da saúde em um precário hospital público no Rio de Janeiro. A trama aborda os desafios, a escassez de recursos, os dilemas éticos e a resiliência dos médicos e enfermeiros, expondo as falhas estruturais do sistema de saúde brasileiro e o impacto direto na vida dos pacientes. A série é um poderoso retrato das desigualdades e da urgência de investimentos na saúde pública.
“Sob Pressão” é uma série de televisão de drama médico brasileira criada por Luiz Noronha, Cláudio Torres, Renato Fagundes e Jorge Furtado, baseada no filme homônimo de 2016. A série é uma coprodução da Conspiração Filmes e da TV Globo, e estreou em 25 de julho de 2017, na TV Globo. A série acompanha os médicos e enfermeiras do departamento de emergência de um hospital público precário no Rio de Janeiro. Júlio Andrade, Marjorie Estiano e Stepan Nercessian reprisam seus papéis do filme na série de televisão. A produção da primeira temporada começou no início de março de 2017. As filmagens começaram em 10 de abril de 2017. A TV Globo renovou a série para uma segunda temporada em maio de 2017, antes mesmo da primeira ir ao ar. A segunda temporada estreou em 9 de outubro de 2018. Em maio de 2018, a série foi renovada para uma terceira temporada. Saiba mais
Dica para a redação: “Sob Pressão” pode ser usada para ilustrar a realidade de um sistema de saúde sobrecarregado e com recursos limitados, que muitas vezes falha em atender às necessidades básicas, como a higiene menstrual. Argumente que a pobreza menstrual é mais uma manifestação dessa precariedade e que a campanha “Dignidade Menstrual” é uma ação concreta para aliviar a pressão sobre as famílias e as unidades de saúde, garantindo um direito fundamental que não pode ser negligenciado.
Leitura complementar:
11. Drauzio Varella
Antônio Drauzio Varella é um renomado médico, cientista e escritor brasileiro, conhecido por sua atuação incansável na divulgação de informações sobre saúde de forma acessível e didática. Ele se destaca por abordar temas complexos e muitas vezes tabus, promovendo a educação em saúde e combatendo a desinformação. Seu trabalho é fundamental para conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do cuidado com o corpo.
Antônio Drauzio Varella é um médico, cientista, escritor e comunicador de ciências médicas brasileiro. Varella frequentemente comenta publicamente sobre questões como condições prisionais, bem-estar social, governo, literatura, medicina e ceticismo, e frequentemente desmascara afirmações médicas pseudocientíficas. Varella recebeu o Prêmio Jabuti de 2000 por seu livro “Estação Carandiru”. Saiba mais
Dica para a redação: Invoque Drauzio Varella para sublinhar a importância da educação em saúde e da desmistificação de temas como a menstruação. Você pode argumentar que, assim como Varella combate a desinformação em diversas áreas da saúde, a campanha “Dignidade Menstrual” é crucial para educar a população sobre a menstruação, quebrar tabus e garantir que meninas e mulheres tenham acesso a informações corretas e a produtos de higiene, promovendo saúde e dignidade.
Leitura complementar:
12. Estratégia Saúde da Família
A Estratégia Saúde da Família (ESF) é um modelo de atenção primária à saúde adotado pelo SUS, que busca promover a saúde preventiva e integral da população, com foco na família e na comunidade. Por meio de equipes multidisciplinares que atuam em territórios definidos, a ESF oferece acompanhamento contínuo, educação em saúde e identificação precoce de problemas, visando a melhoria da qualidade de vida e a redução das desigualdades.
Dica para a redação: Este é um repertório valioso para mostrar como a campanha “Dignidade Menstrual” se integra à lógica da atenção primária. Você pode argumentar que a ESF, com sua capilaridade e foco na prevenção, é o canal ideal para a distribuição de produtos de higiene menstrual e para a realização de ações educativas sobre o tema, garantindo que o direito à dignidade menstrual chegue às comunidades mais carentes do município.
13. Programa Mais Médicos
O Programa Mais Médicos, uma iniciativa do governo federal, foi criado com o objetivo de suprir a carência de profissionais médicos em regiões remotas e de alta vulnerabilidade social no Brasil. Ao levar médicos para áreas onde o acesso à saúde é precário, o programa visa fortalecer a atenção primária, ampliar o acesso aos serviços de saúde e melhorar a qualidade de vida da população. Ele representa um esforço para democratizar o acesso à saúde e reduzir as desigualdades regionais.
Dica para a redação: Utilize o Programa Mais Médicos para argumentar que, assim como o acesso a profissionais de saúde é crucial para comunidades carentes, o acesso a produtos de higiene menstrual também é um componente essencial da saúde básica. Você pode defender que a presença desses profissionais, em parceria com a campanha “Dignidade Menstrual”, pode facilitar a conscientização e a distribuição dos itens, garantindo um cuidado de saúde mais completo e equitativo nas áreas mais necessitadas do município.
14. Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (CEPEM)
O Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (CEPEM) é uma organização ou instituição dedicada a investigar e promover questões relacionadas à igualdade de gênero, saúde feminina, direitos das mulheres e empoderamento. Por meio de pesquisas, projetos e advocacy, o CEPEM contribui para a formulação de políticas públicas e para a conscientização sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade. Sua atuação é vital para dar visibilidade a problemas específicos do universo feminino.
Dica para a redação: O CEPEM é um repertório perfeito para o tema. Você pode usá-lo para reforçar que a pobreza menstrual é uma questão de gênero e de direitos das mulheres, que exige a atenção de instituições especializadas. Argumente que a Prefeitura, ao aderir à campanha “Dignidade Menstrual”, estará alinhando-se aos princípios defendidos por centros como o CEPEM, reconhecendo a especificidade das necessidades femininas e agindo proativamente para promover a saúde e a igualdade de gênero no município.

Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.