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A redação do ENEM exige que o candidato vá além do domínio da norma culta: é preciso demonstrar repertório sociocultural para fundamentar a tese. No tema “Preconceito linguístico no Brasil”, essa competência é essencial para discutir como a língua é usada como instrumento de exclusão social. Para te ajudar a alcançar a nota mil, selecionamos 29 repertórios e argumentos que conectam literatura, filosofia, música e cultura pop a este debate.
Como argumentar sobre Preconceito Linguístico?
Antes de conferir a lista, entenda quais caminhos argumentativos você pode seguir com esses 29 repertórios:
- A língua como mecanismo de poder: Argumente que a exigência de uma norma rígida serve para marginalizar classes sociais menos favorecidas.
- Identidade e Cultura: Defenda que o modo de falar é parte da identidade de um povo (indígenas, sertanejos, periféricos) e atacá-lo é uma forma de apagamento cultural.
- O papel da escola: Discuta como o ensino focado apenas na gramática normativa, sem considerar a sociolinguística, reforça o preconceito.
- Mídia e Estereótipos: Analise como personagens que falam “errado” são frequentemente associados à falta de inteligência ou ao alívio cômico.
29 Repertórios e Argumentos para sua Redação
1. Maria Pankararu (Linguista Indígena)
Maria das Dores de Oliveira, a Maria Pankararu, é uma referência fundamental. Ela foi a primeira acadêmica indígena a obter um título de doutorado no Brasil. Sua luta foca na preservação de línguas em risco de extinção, como a língua Ofayé.
Exemplo de Introdução: “No cenário acadêmico brasileiro, a trajetória de Maria Pankararu, primeira doutora indígena do país, evidencia a importância da preservação das variantes linguísticas como forma de resistência cultural. Todavia, fora das esferas de proteção, o preconceito linguístico no Brasil atua como uma barreira que silencia vozes e marginaliza cidadãos com base em seus falares.”
2. Turma da Mônica (Mauricio de Sousa)
A obra de Mauricio de Sousa é um laboratório de variação linguística. Personagens como Chico Bento (dialeto caipira) e Cebolinha (dislalia) mostram que a comunicação ocorre de diversas formas.
Exemplo de Argumentação: “Ademais, a estigmatização de variantes regionais reflete uma hierarquização social injusta. Na cultura pop, embora personagens como Chico Bento, da Turma da Mônica, tragam visibilidade ao falar caipira, na vida real, esse indivíduo é frequentemente alvo de mofas. Esse cenário valida a tese de Marcos Bagno de que o preconceito linguístico é, na verdade, um preconceito social mascarado.”
3. A Língua de Eulália (Marcos Bagno)
Esta novela sociolinguística é perfeita para explicar que o “erro” de português muitas vezes segue uma lógica gramatical própria de certas comunidades. É um repertório ideal para combater a ideia de que quem fala diferente “não sabe falar”.
4. Filme: A Chegada (2016)
A trama mostra uma linguista tentando se comunicar com alienígenas. O argumento aqui é a Hipótese de Sapir-Whorf: a língua que falamos molda nossa forma de entender o mundo. O preconceito linguístico, portanto, ignora outras visões de mundo.
5. John Dewey e a Democracia
Para Dewey, a democracia exige comunicação plena entre os cidadãos. Se uma parcela da população é ridicularizada pelo seu modo de falar, ela é excluída do debate público, ferindo o ideal democrático.
6. Livro: Preconceito Linguístico (Marcos Bagno)
A obra “bíblia” sobre o tema. Bagno desconstrói mitos como “o português é muito difícil” ou “brasileiro não sabe português”, provando que a língua é viva e muda conforme o uso.
7. Chico Bento e a Identidade Rural
Use este personagem para discutir a variação diatópica (regional). O modo de falar do Chico Bento não é errado, é uma variante culturalmente rica do interior paulista e mineiro.
8. Evanildo Bechara
Embora seja um gramático tradicional, Bechara defende que devemos ser “poliglotas em nossa própria língua”, sabendo usar a norma culta em situações formais e a coloquial no dia a dia.
9. Obra: Urupês (Monteiro Lobato)
Através do personagem Jeca Tatu, Lobato retrata o falar do caipira. Você pode usar este repertório para criticar a visão histórica de que o falar rural é sinônimo de atraso ou “doença”.
10. Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF)
Dados que mostram a dificuldade de brasileiros em interpretar textos. O argumento é que o preconceito linguístico foca na “forma” (gramática), enquanto o problema real é o “conteúdo” (analfabetismo funcional).
11. Poema: Pronominais (Oswald de Andrade)
“Dê-me um cigarro / Diz a gramática / Do professor e do aluno… / Mas o bom negro e o bom branco / Da Nação Brasileira / Dizem todos os dias / Deixa disso camarada / Me dá um cigarro”. Um clássico do Modernismo para criticar o purismo linguístico.
12. Ludwig Wittgenstein
O filósofo afirmava: “Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo”. Se o Estado não valoriza a diversidade linguística, ele limita o mundo de seus cidadãos.
13. Mikhail Bakhtin e o Dialogismo
Bakhtin ensina que a língua só existe na interação. Portanto, não existe uma “língua pura” em um dicionário, mas sim uma língua viva que se transforma em cada conversa.
14. Erving Goffman e o Estigma
O conceito de “estigma social” de Goffman explica como o sotaque ou a gíria podem ser usados para “marcar” um indivíduo como inferior antes mesmo dele mostrar sua competência.
15. Umberto Eco e a Semiótica
Eco defendia que a língua é um sistema de signos em constante evolução. O preconceito linguístico seria uma tentativa inútil de paralisar essa evolução.
16. Roque Laraia: Cultura e Linguagem
O antropólogo mostra que a língua é o principal veículo da cultura. Atacar o dialeto de um grupo é, por extensão, atacar sua herança cultural.
17. Lev Vygotsky
Para Vygotsky, o pensamento é construído pela linguagem social. Se a escola exclui a linguagem que o aluno traz de casa, ela dificulta o seu desenvolvimento cognitivo.
18. Revista Estudos da Linguagem
Excelente para citar como fonte de estudos científicos que comprovam que a língua portuguesa no Brasil é uma das mais diversas do mundo.
19. Karl Popper e a Sociedade Aberta
Argumente que uma “sociedade aberta” exige tolerância. O preconceito linguístico é uma forma de intolerância que impede o progresso social.
20. Filme: Escritores da Liberdade
A professora Erin Gruwell utiliza as gírias e as vivências dos alunos para ensiná-los. É o exemplo perfeito de como a inclusão linguística gera resultados educacionais positivos.
21. David Hume e o Empirismo
Hume acreditava que o conhecimento vem da experiência. Se cada região do Brasil tem experiências diferentes, é natural que suas linguagens também o sejam.
22. British Council e o Inglês Global
Você pode fazer uma analogia: assim como o inglês tem variantes (EUA, Índia, Nigéria) todas aceitas, o português do Brasil também deve ter suas variantes respeitadas.
23. Música: Tiro ao Álvaro (Adoniran Barbosa)
“Teu olhar mata mais do que ‘revorver’ / Do que veneno de ‘estricnina’”. Adoniran foi criticado na época por “assassinar o português”, mas hoje é patrimônio cultural por retratar a fala do povo paulistano.
24. Música: Samba do Arnesto
Outro exemplo de Adoniran Barbosa que usa o “nóis fumo” e “nóis num encontramo”. Serve para argumentar que a arte legitima o que a sociedade muitas vezes condena.
25. Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)
Guimarães Rosa criou um “terceiro português”, misturando o falar do sertão com neologismos. É a prova literária de que a língua é maleável e criativa.
26. Zuenir Ventura
Jornalista que transita entre o erudito e o popular, Ventura é um exemplo de como a linguagem deve ser adaptada ao contexto (adequação linguística).
27. Marcos Bagno e a Democracia Linguística
Bagno defende que o ensino de português deve ser para dar “poder de fala” ao aluno, e não para envergonhá-lo de suas origens.
28. Os Trapalhões
Mussum e Didi usavam variações linguísticas (como o sufixo “-is”) para criar humor. Argumente como isso pode, ao mesmo tempo, popularizar e estereotipar certos falares.
29. Documentário: Língua – Vidas em Português
O filme mostra que o português é falado de formas diferentes em Portugal, Moçambique, Angola e Brasil. O preconceito linguístico ignora essa riqueza transcontinental.
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