A redação do ENEM exige do candidato não apenas domínio da norma-padrão, mas também o uso de repertórios socioculturais capazes de fortalecer a argumentação. Quando o tema é “Desafios para a inclusão de pessoas neurodivergentes em diversos setores da sociedade”, selecionar referências pertinentes faz toda a diferença.
A inclusão de pessoas com deficiência e pessoas neurodivergentes em todos os setores da sociedade é essencial, mas ainda enfrenta grandes obstáculos, apesar dos avanços legais. Na educação, no mercado de trabalho e nos espaços públicos, ainda faltam adaptações adequadas, recursos acessíveis e conscientização para atender às diferentes necessidades. A verdadeira inclusão exige compromisso coletivo para superar barreiras e garantir que todos possam participar plenamente da vida em sociedade. Com base nessa discussão, elabore um texto dissertativo-argumentativo abordando os principais desafios para uma inclusão real e efetiva.
Repertórios para usar na redação
1. CPB
Comitê Paralímpico Brasileiro: entidade responsável por organizar e apoiar atletas com deficiência no esporte de alto rendimento.
Leitura complementar:
2. Crip Camp
Crip Camp: Revolução pela Inclusão é um documentário que retrata a luta por direitos civis de pessoas com deficiência nos anos 1970, sendo um importante repertório sobre inclusão social e ativismo.
Leitura complementar:
3. Como Eu Era Antes de Você
Romance que aborda a relação entre uma cuidadora e um homem tetraplégico, destacando questões como autonomia, empatia, respeito e inclusão da pessoa com deficiência.
4. Stephen Hawking
Renomado físico teórico que, mesmo convivendo com uma doença neurodegenerativa, tornou-se um dos maiores nomes da ciência mundial.
Leitura complementar:
5. Autism Speaks
Organização que atua na divulgação de informações sobre o autismo e na promoção de debates sobre aceitação, conscientização e pesquisa.
Leitura complementar:
6. Relatório mundial sobre a deficiência
Documento que reúne informações científicas sobre a deficiência e apresenta caminhos para melhorar a vida das pessoas com deficiência em escala global.
7. APABB
Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência: instituição sem fins lucrativos, com certificação de filantropia e utilidade pública, voltada à inclusão, ao apoio às famílias e à promoção da qualidade de vida.
8. The Good Doctor
Série de TV que acompanha a trajetória de um médico autista e seus desafios profissionais, trazendo à tona discussões sobre inclusão no ambiente de trabalho.
Leitura complementar:
- The Good Doctor (American TV series)
- Good Doctor (South Korean TV series)
- The Good Doctor (2011 film)
9. Lei Berenice Piana
Legislação que institui direitos e garantias para pessoas autistas e suas famílias em diferentes esferas sociais.
10. Cordas
Curta-metragem que conta a história da amizade entre María e Nicolás, um menino com paralisia cerebral, destacando empatia, convivência e inclusão.
Leitura complementar:
11. Frida Kahlo
Artista mexicana conhecida por obras inspiradas em sua experiência com dor, limitações físicas e identidade cultural.
Leitura complementar:
12. SNDPD
Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência: órgão responsável por promover os direitos das pessoas com deficiência e contribuir para sua inclusão na sociedade.
13. Uma Lição de Amor
Filme que retrata a jornada de uma família diante dos desafios de criar uma criança com deficiência, destacando afeto, aceitação e inclusão.
14. Atypical
Série que aborda a vida de um adolescente com autismo, mostrando sua rotina, suas relações e os desafios do cotidiano.
Leitura complementar:
15. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
Filme brasileiro sobre um adolescente cego e sua trajetória de autodescoberta, autonomia e descoberta afetiva.
16. Liliane Rocha
Palestrante e ativista que promove a inclusão de pessoas com deficiência e o debate sobre diversidade no ambiente social e profissional.
17. O Falcão Manteiga de Amendoim
Filme que narra a aventura de um jovem com síndrome de Down em busca de seus sonhos, enfatizando autonomia, amizade e inclusão.
18. Ana Clara Moniz
Advogada e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, atuando em defesa da inclusão e da acessibilidade.
19. Janela da Alma
Documentário que aborda a deficiência visual e a capacidade humana de enxergar para além das limitações físicas.
20. Instituto Rodrigo Mendes
Organização sem fins lucrativos que trabalha para garantir uma educação de qualidade e inclusiva para toda pessoa com deficiência.
21. Best and Most Beautiful Things
Documentário sobre uma jovem cega em busca de identidade e independência, reforçando a importância da inclusão e da valorização do indivíduo.
Leitura complementar:
22. Extraordinário
Filme que retrata a trajetória de um menino com deformidade facial que enfrenta desafios na escola, buscando aceitação, amizade e respeito.
23. Estatuto da Pessoa com Deficiência
Legislação que busca garantir direitos, cidadania e inclusão da população com deficiência no Brasil.
24. Daniel Dias
Nadador brasileiro com deficiência física que se destacou em competições internacionais, tornando-se símbolo de superação, desempenho e representatividade.
Leitura complementar:
- Paralympic gold medalists for Brazil
- World record holders in paralympic swimming
- Paralympic silver medalists for Brazil
25. Como ser um líder inclusivo
Livro que apresenta reflexões sobre diversidade, inclusão, liderança e estratégias para tornar ambientes mais acessíveis e acolhedores.
Referências e textos motivadores
“Diversidade, inclusão e acessibilidade são termos muito usados na atualidade, mas nem sempre são aplicados no dia a dia das pessoas com deficiência (PcD). Segundo o IBGE, mais de 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, o que equivale a cerca de 24% da população do país. De acordo com a ONU, até 2050 serão 2 bilhões de pessoas com deficiência no mundo. E, como todo cidadão, as pessoas com deficiência têm direitos garantidos por lei, sendo o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) um marco para a construção de políticas públicas voltadas à inclusão dessa parcela da sociedade. O Estatuto assegura proteção contra a discriminação, acessibilidade, trabalho, educação, saúde, moradia, esporte e lazer para as pessoas com deficiência. Porém, ainda há um caminho longo a ser percorrido para chegarmos à plena inclusão das pessoas com deficiência na sociedade brasileira. No mercado de trabalho, por exemplo, apenas 53% das vagas destinadas aos profissionais com deficiência estão ocupadas no país. Na cultura, ainda são poucas as iniciativas que se preocupam com a acessibilidade.”
Disponível em: https://www.defensoria.es.def.br/os-desafios-para-a-inclusao-das-pessoas-com-deficiencia-na-sociedade/
“Atualmente, o Coletivo de Pessoas com Deficiência da USP já soma 48 integrantes, entre estudantes, servidores e apoiadores. O coletivo se organizou em grupos de trabalho baseados nas principais demandas de seus integrantes, entre elas, questões jurídicas, sociais, esportivas e pedagógicas. A ideia é elaborar diretrizes e sugestões que possam servir de base para que os órgãos da Universidade construam políticas de educação e acessibilidade em suas instalações. Além de sugestões de baixo custo que podem ser incorporadas nas unidades para soluções rápidas e simples, o coletivo discute alternativas para incluir, ainda, familiares que frequentam o ambiente acadêmico. “Algumas pessoas têm dependência para coisas simples, como tomar banho. No primeiro semestre, minha mãe e irmã tiveram que se virar para comer, porque não podemos fazer duas bandejas”, relata Juliana Altino, estudante de pedagogia na Faculdade de Educação (FE) e fundadora do Coletivo PCD da USP, sobre a rotina nos restaurantes universitários. O grupo se inspira no movimento feito pelas estudantes com filhos que moram no Conjunto Residencial, o Crusp. “No bloco das mães, há um espaço em que elas podem estar com a família. Existe uma lista especial para colocar dependentes das mães, mas por que não tem uma dessas para as pessoas com deficiência?”, questiona. A aluna lembra que uma simples reforma de calçadas e adequação de rampas foram suficientes para que ela pudesse acessar o prédio da faculdade com segurança. O conserto beneficiou toda a comunidade, mas a ausência de acessibilidade pode afetar drasticamente a rotina de quem busca a mínima autonomia. “Em frente ao Metrô Butantã, uma das rampas que sai da avenida e dá acesso à estação era muito íngreme. Eu estava sozinha e a cadeira virou para trás. Eu caí e fiquei muito desesperada pois estava vindo um ônibus”, conta. Ela divide a rotina de estudos com a leitura de inúmeras normas e leis que definem as regras de acessibilidade física, social e educacional. “Só acho que eu não precisava ter aprendido tanto para ser tratada com o mínimo de respeito”, avalia. Juliana teve uma lesão medular causada pela mielite transversa, uma doença inflamatória de causa desconhecida que afeta os neurônios motores.”
Disponível em: https://jornal.usp.br/diversidade/inclusao-de-pessoas-com-deficiencia-exige-conhecimento-e-reconhecimento-social/

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