Cinema Brasileiro no ENEM: 11 Repertórios para Redação Nota 10

A redação do ENEM é uma oportunidade de demonstrar não apenas seu domínio da língua portuguesa, mas também sua capacidade de argumentar com base em conhecimentos de diversas áreas. Quando o tema aborda a cultura nacional, como “Caminhos para a valorização do cinema brasileiro”, ter um arsenal de repertórios socioculturais bem articulados é fundamental para uma nota de destaque. Este guia foi feito para você, estudante do ENEM, que busca aprofundar seu conhecimento e impressionar na prova.

A recente discussão em torno de produções nacionais, como a vitória do filme “Ainda estou aqui”, do diretor Walter Salles, reacende o debate sobre a importância de valorizar o cinema brasileiro. Em um cenário ainda dominado por produções estrangeiras, especialmente as americanas, é crucial refletir sobre estratégias eficazes para impulsionar e reconhecer nossas obras cinematográficas.

Repertórios Socioculturais Essenciais para sua Redação

Confira uma seleção de repertórios que você pode usar para fundamentar seus argumentos sobre a valorização do cinema brasileiro no ENEM:

1. Henry Jenkins: Convergência Midiática e Cultura Participativa

Henry Jenkins - Alchetron, The Free Social Encyclopedia

Renomado acadêmico de mídia e cultura, Henry Jenkins é conhecido por seus estudos sobre a convergência midiática e a cultura participativa. Ele explora como as diferentes mídias (cinema, TV, internet) se interligam e como o público, antes passivo, se torna ativo na criação e disseminação de conteúdo. Para Jenkins, a cultura popular é um espaço de negociação de significados, onde narrativas podem ser reinterpretadas e compartilhadas.

Dica de uso na redação: Você pode usar Jenkins para argumentar que a valorização do cinema brasileiro passa pela adaptação às novas formas de consumo e interação com o público. A produção de filmes que incentivem a participação e o engajamento através de plataformas digitais pode ser um caminho para fortalecer a identidade nacional e expandir o alcance das obras.

Exemplo de parágrafo de introdução:

No contexto da contemporaneidade líquida, a cultura assume um papel central na formação identitária das nações. Contudo, no Brasil, a valorização do cinema nacional enfrenta desafios impostos pela hegemonia de produções estrangeiras e pela falta de engajamento do público. Nesse cenário, é imperativo analisar como a convergência midiática, conceito explorado por Henry Jenkins, pode ser um caminho para ressignificar a percepção e o consumo do cinema brasileiro, promovendo sua ascensão no imaginário popular e no mercado audiovisual.

Leitura complementar:

2. Fundação Nacional de Artes (Funarte): Apoio e Fomento Cultural

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A Funarte é uma fundação do governo brasileiro, vinculada ao Ministério da Cultura, que atua em todo o território nacional. Seu papel é fundamental no desenvolvimento de políticas públicas para o fomento das artes visuais, música, dança, teatro e circo. Embora não seja exclusiva do cinema, a Funarte representa o braço do Estado no incentivo e na promoção da produção artística e cultural, sendo essencial para a base de formação de novos talentos e projetos.

Dica de uso na redação: Utilize a Funarte para exemplificar a importância do investimento público na cultura. Você pode argumentar que o fortalecimento de órgãos como a Funarte, com a destinação de recursos específicos para o setor audiovisual, é um caminho para diversificar as produções e garantir a autonomia artística do cinema brasileiro.

Exemplo de parágrafo de argumentação:

Em segundo plano, a escassez de investimentos e o enfraquecimento de instituições de fomento cultural representam um entrave significativo para a valorização do cinema nacional. A Fundação Nacional de Artes (Funarte), por exemplo, embora essencial para a promoção das diversas linguagens artísticas no Brasil, necessita de maior dotação orçamentária e de políticas mais robustas que contemplem o setor audiovisual de forma estratégica. Desse modo, a falta de apoio governamental contínuo e a desarticulação de projetos de longo prazo impedem que talentos emergentes encontrem espaço para desenvolver suas obras, perpetuando a dependência de produções estrangeiras e limitando a diversidade temática e estética do cinema brasileiro.

Leitura complementar:

3. IPHAN: Preservação do Patrimônio Cultural Material e Imaterial

Iphan reconhece Arte Santeira em Madeira como patrimônio cultural ...

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é um órgão federal responsável por preservar o patrimônio cultural brasileiro, tanto material quanto imaterial. Embora não esteja diretamente ligado à produção cinematográfica, o IPHAN reflete a importância da memória e da identidade cultural para a nação. O cinema, enquanto manifestação artística e registro histórico, também contribui para a construção e preservação desse patrimônio.

Dica de uso na redação: Você pode usar o IPHAN para argumentar que o cinema brasileiro é uma forma de patrimônio imaterial, capaz de registrar e transmitir a cultura, a história e as diversas realidades do país. A valorização de produções nacionais é, portanto, um ato de preservação da memória e da identidade brasileira.

4. Fundo Setorial do Audiovisual (FSA): O Impulso Financeiro para o Cinema

Fundo Setorial do Audiovisual anuncia novos investimentos em projetos ...

O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) é uma das principais ferramentas de fomento à indústria cinematográfica brasileira. Ele visa incentivar a produção, distribuição e exibição de conteúdos audiovisuais, além de promover a capacitação e formação de profissionais da área. O FSA é crucial para viabilizar projetos, garantindo que filmes brasileiros possam ser produzidos com qualidade e cheguem ao público.

Dica de uso na redação: O FSA é um repertório excelente para discutir a importância do investimento estatal e de políticas públicas. Você pode argumentar que o fortalecimento e a gestão transparente do FSA são essenciais para superar a dependência de produções estrangeiras e para garantir a competitividade do cinema brasileiro no mercado global.

5. Lei Aldir Blanc: Suporte Emergencial e Reconhecimento da Cultura

Secretaria de Cultura irá realizar orientação de forma presencial para ...

A Lei Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020) foi uma medida emergencial criada para auxiliar o setor cultural, duramente afetado pela pandemia de COVID-19. Ela destinou recursos para artistas, produtores e espaços culturais, incluindo o setor audiovisual. Embora emergencial, a lei destacou a vulnerabilidade do setor e a necessidade de apoio governamental contínuo para a manutenção e valorização da cultura brasileira.

Dica de uso na redação: Você pode citar a Lei Aldir Blanc para contextualizar a fragilidade do setor cultural brasileiro e a importância de políticas de incentivo, não apenas em momentos de crise, mas de forma estrutural. Argumente que a valorização do cinema passa pela garantia de condições de trabalho e produção para os profissionais da área.

6. Fundo Nacional da Cultura (FNC): Investimento Direto no Setor Cultural

EuVejoArte: Último dia para inscrições do Fundo Nacional de Cultura

O Fundo Nacional da Cultura (FNC) representa um investimento direto do Estado no fomento à cultura. Seus recursos são aplicados em projetos específicos, selecionados principalmente por meio de editais públicos. O FNC é um mecanismo essencial para democratizar o acesso a financiamentos e estimular a diversidade da produção cultural brasileira, incluindo o cinema.

Dica de uso na redação: Cite o FNC para reforçar a ideia de que o financiamento público é um pilar para a valorização do cinema. Argumente sobre a importância de expandir e desburocratizar o acesso a esses fundos, garantindo que produções de todas as regiões do Brasil e de diferentes portes possam ser contempladas.

7. “Na Quebrada”: Cinema como Ferramenta de Expressão e Inclusão Social

O filme brasileiro “Na Quebrada” (2014), dirigido por Fernando Grostein Andrade, retrata a trajetória de jovens em situação de vulnerabilidade social que encontram no cinema uma forma de expressão, superação e transformação de suas realidades. Baseado em histórias reais, o longa destaca o potencial do audiovisual como ferramenta de inclusão social, educação e valorização da identidade de comunidades marginalizadas.

Dica de uso na redação: Use “Na Quebrada” como um exemplo concreto de como o cinema pode ser valorizado não apenas como produto cultural, mas como agente de mudança social. Argumente que investir em projetos que capacitem jovens e comunidades a contar suas próprias histórias através do audiovisual é um caminho poderoso para a democratização e valorização do cinema brasileiro.

8. Nick Couldry: A Mídia e a Produção de Significados Culturais

Podcast: Nick Couldry,

Nick Couldry é um sociólogo e acadêmico britânico que estuda a relação entre mídia, comunicação e cultura, com foco em como as instituições midiáticas constroem e distribuem significados culturais. Ele questiona a ideia de que a mídia apenas reflete a realidade, argumentando que ela ativamente a molda. Sua obra é relevante para entender como o cinema pode tanto reforçar estereótipos quanto promover novas narrativas e identidades.

Dica de uso na redação: Você pode usar Couldry para argumentar que a valorização do cinema brasileiro passa por uma produção que desafie narrativas hegemônicas e construa representações mais autênticas e diversas do Brasil. Ao controlar a própria narrativa, o cinema nacional pode fortalecer a identidade cultural e combater a “síndrome de vira-lata”.

9. Lei Rouanet: Incentivo Fiscal para a Cultura

Lei Rouanet Incentivo a Projetos Culturais - Dellarte Soluções Culturais

A Lei Rouanet (Lei nº 8.313/91), oficialmente Lei Federal de Incentivo à Cultura, é um dos principais mecanismos de fomento cultural no Brasil. Ela permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do imposto de renda devido para financiar projetos culturais. Essa legislação é crucial para a captação de recursos para diversas áreas, incluindo a produção cinematográfica, visando o desenvolvimento e a promoção da cultura nacional.

Dica de uso na redação: A Lei Rouanet é um repertório clássico para abordar a relação entre Estado, setor privado e cultura. Você pode argumentar sobre a importância da desburocratização e da transparência na gestão desses recursos, bem como a necessidade de campanhas que estimulem a participação de empresas no financiamento do cinema brasileiro, para sua valorização e sustentabilidade.

10. ANCINE: Agência Reguladora e Fomentadora do Cinema Brasileiro

Produção: Ancine divulga

A Agência Nacional do Cinema (ANCINE) é o órgão federal responsável por regulamentar, fiscalizar e fomentar a indústria cinematográfica e audiovisual no Brasil. Criada em 2000, a ANCINE atua para fortalecer o setor, promover a diversidade das produções e garantir a participação do cinema brasileiro no mercado. Suas ações incluem a gestão do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), o registro de obras e a emissão de certificados de produto brasileiro.

Dica de uso na redação: A ANCINE é um repertório fundamental para discutir a atuação do Estado no cinema. Argumente sobre a importância de uma ANCINE forte e autônoma para a formulação e execução de políticas públicas eficazes que impulsionem a produção, distribuição e exibição de filmes nacionais, combatendo a concentração de mercado e promovendo a inclusão.

Leitura complementar:

11. “O Auto da Compadecida”: A Força da Narrativa Brasileira

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A obra “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, é um marco da cultura brasileira, adaptada com grande sucesso para o cinema e a televisão. A peça, e posteriormente o filme, abordam temas como religião, folclore, justiça social e a sabedoria popular do Nordeste brasileiro, com um humor característico e personagens icônicos. O sucesso de “O Auto da Compadecida” demonstra o potencial do cinema em traduzir e valorizar as narrativas genuinamente brasileiras.

Dica de uso na redação: Utilize “O Auto da Compadecida” como um exemplo de sucesso de público e crítica que celebra a identidade cultural brasileira. Argumente que a valorização do cinema nacional passa pela produção de filmes que dialoguem com o imaginário popular, explorando nossas raízes, costumes e regionalismos, e que demonstrem a riqueza da nossa diversidade cultural.

Referências e Textos Motivadores

a. Você sabe por que a expressão “sétima arte” é usada para se referir ao Cinema? De acordo com o professor e crítico Ismail Xavier, autor do livro Sétima arte: um culto moderno – o idealismo estético e o cinema, foi o cineclubista italiano Ricciotto Canudo o responsável pela denominação. “Como intelectual, ele logo se interessou pela nova forma de diversão popular que surgiu em 1895, fez parte de um cineclube e integrou uma geração que passou a expressar seu amor pelo Cinema tratando-o como uma forma artística que surge a partir de uma nova tecnologia”.

Em 1911, Canudo escreveu o Manifesto das Sete Artes, no qual montou um sistema em que dividia as artes por sua relação com o espaço – pintura, escultura e arquitetura – e com o tempo – música, dança e poesia. “Por ser uma arte do espaço e do tempo, o Cinema seria a grande síntese de todas, a sétima arte, pois parte de uma imagem projetada em uma superfície, como a pintura ou a fotografia, mas envolve o movimento, relacionando-se ao ritmo, ao tempo”, explica.

Segundo o professor, na divisão proposta pelo cinéfilo italiano, nem o teatro, nem a literatura aparecem, pois o seu grupo recusava o cinema em seu formato narrativo, utilizado para contar histórias, com atores desempenhando papéis. “Para eles, isso era algo passageiro, que o cinema não só iria, como teria de abandonar para encontrar sua verdadeira essência”, conta.

Disponível em: https://portal.sescsp.org.br/online/artigo/12781_POR+QUE+O+CINEMA+E+CONHECIDO+COMO+A+SETIMA+ARTE. Acesso em 21/03/2025. (Adaptado). 

b. A ausência de investimentos, gera desvalorização e uma inferiorização da cinematografia brasileira. Em 2021, o Datafolha divulgou que 19% da população entrevistada nunca foi ao cinema assistir um filme originalmente brasileiro. Isso significa, que diante de um filme nacional, que valoriza a cultura brasileira e uma produção hollywoodiana, a indústria americana estará em primeiro lugar para pelo menos 19% da população. 

Infelizmente, isso se reflete na realidade da educação. Viver de arte em um país como o Brasil é praticamente impossível e ser artista não é profissão. Consequentemente, o pensamento crítico é pouco desenvolvido ou quase inexistente e transforma a arte em artigo elitizado e não acessível às populações de baixa renda, o que gera a desigualdade social ainda maior. 

A valorização de “Ainda Estou Aqui” foi muito particular, por se tratar de um período delicado da história do país, por ser baseado em fatos reais. Todavia, a maioria das obras nacionais são desvalorizadas e isso acontece em face da supervalorização da cultura americana, e da famosa síndrome de “vira-lata”. A desvalorização da produção nacional começa pelo governo do país e se estende ao cidadão.   

Disponível em: https://canaldaimprensa.com.br/a-desvalorizacao-do-cinema-nacional/. Acesso em 21/03/2025. (Adaptado).

 c. O cinema no Brasil vai acabar? Saiba a evolução dos números de público e salas no país.

Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/06/23/cinema-no-brasil-circuito-do-pais-busca-se-recuperar-da-pandemia-e-fazer-frente-ao-streaming.ghtml Acesso em 21/03/2025. 

 

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