A redação do ENEM exige do candidato não apenas conhecimento gramatical, mas também o uso de repertórios socioculturais que enriqueçam a argumentação. Quando o tema é “Caminhos para combater a baixa representatividade feminina na política”, ter bons repertórios faz toda a diferença.
Este tema, cada vez mais relevante nos debates contemporâneos e nas provas, desafia os estudantes a refletirem sobre as raízes históricas, sociais e culturais da sub-representação das mulheres nos espaços de poder. Para construir uma redação nota mil, é fundamental ir além do senso comum, mobilizando informações, fatos e conceitos de diversas áreas do conhecimento. Pensando nisso, preparamos uma seleção de repertórios que vão desde personalidades inspiradoras e marcos históricos até obras culturais e dados estatísticos, todos pensados para enriquecer sua argumentação e propor soluções eficazes.
Repertórios Essenciais para sua Redação sobre Mulheres na Política
1. Avelin Buniacá Kambiwá
Avelin Buniacá Kambiwá é uma notável liderança indígena e ativista brasileira, reconhecida por sua incansável defesa da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres, especialmente das mulheres indígenas. Sua atuação política e social demonstra a importância da representatividade de grupos minorizados na formulação de políticas públicas e na luta contra as desigualdades. Ela personifica a voz de comunidades que historicamente foram marginalizadas, trazendo para o debate público as especificidades e desafios enfrentados pelas mulheres indígenas no cenário político.
Dica de uso na Redação: Utilize Avelin Buniacá Kambiwá para argumentar sobre a importância da diversidade na política e como a luta por representatividade feminina deve considerar as interseccionalidades de raça, etnia e gênero. Pode ser empregada em discussões sobre o papel das mulheres indígenas na política e a necessidade de descolonizar os espaços de poder.
Exemplo de Parágrafo de Introdução: A persistente sub-representação feminina na política brasileira reflete um cenário complexo, enraizado em estruturas sociais patriarcais e históricas. Contudo, a emergência de figuras como Avelin Buniacá Kambiwá, liderança indígena e defensora dos direitos das mulheres, demonstra a força e a urgência da demanda por maior diversidade e inclusão nos espaços de decisão. Nesse contexto, é imperativo analisar os desafios e propor caminhos eficazes para combater a lacuna de representatividade feminina, visando uma democracia mais equitativa e plural.
2. CMulher (Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher)
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMulher) é um órgão governamental fundamental no Congresso Nacional brasileiro. Sua função primordial é analisar projetos de lei, propor debates e fiscalizar políticas públicas que impactam diretamente os direitos e a proteção da mulher. A existência e atuação da CMulher evidenciam o reconhecimento formal da necessidade de um olhar específico para as questões de gênero no âmbito legislativo, buscando mitigar desigualdades e promover avanços na legislação.
Dica de uso na Redação: Cite a CMulher para ilustrar a existência de mecanismos institucionais voltados para a defesa dos direitos femininos. Pode ser usada para argumentar que, apesar da existência desses órgãos, a baixa representatividade feminina ainda dificulta a priorização e aprovação de pautas essenciais para as mulheres.
Exemplo de Parágrafo de Argumentação: Um dos entraves para a efetivação de políticas públicas voltadas à equidade de gênero reside na insuficiente representatividade feminina nas esferas decisórias, mesmo com a existência de estruturas como a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMulher). Embora a CMulher atue na análise de projetos e no debate de pautas cruciais, sua capacidade de influência e a celeridade na aprovação de medidas ficam comprometidas quando o número de parlamentares mulheres é desproporcionalmente baixo. Tal cenário perpetua uma política majoritariamente masculina, que muitas vezes não compreende ou prioriza as demandas específicas das mulheres, resultando em um avanço lento na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
3. Go Equal
O movimento “Go Equal”, idealizado pela renomada jogadora de futebol Marta Vieira da Silva, a “Rainha” do futebol brasileiro, transcende o campo esportivo. Ele busca promover a igualdade de gênero em todas as esferas, incentivando a participação feminina e o reconhecimento de seu valor em múltiplos espaços, incluindo a política. A iniciativa de Marta, uma das maiores atletas de todos os tempos, ressalta como a visibilidade e o protagonismo feminino em uma área podem inspirar e impulsionar a luta por equidade em outras, como a política.
Dica de uso na Redação: Use “Go Equal” para demonstrar como o empoderamento feminino em uma área (esporte) pode ser um catalisador para a busca por igualdade em outras, como a política. Pode ser um bom exemplo de como a visibilidade de mulheres de sucesso inspira e encoraja outras a ocuparem espaços de poder.
4. Instituto Patrícia Galvão
O Instituto Patrícia Galvão é uma influente organização feminista brasileira dedicada à defesa dos direitos das mulheres. Sua estratégia principal é atuar na mídia e na comunicação, promovendo campanhas, produzindo conteúdo e qualificando o debate público sobre questões de gênero. Ao moldar a percepção social e combater estereótipos, o Instituto contribui indiretamente para a criação de um ambiente mais favorável à participação feminina na política, ao desconstruir preconceitos que dificultam a aceitação e o voto em candidatas.
Dica de uso na Redação: Cite o Instituto Patrícia Galvão para argumentar sobre o papel crucial da mídia e da conscientização social na promoção da igualdade de gênero e no combate aos estereótipos que afastam as mulheres da política. Pode ser usado para propor a criação de campanhas informativas.
5. Eleitas: mulheres na política
A série brasileira “Eleitas: Mulheres na Política” é um repertório audiovisual valioso, pois documenta as diversas e inovadoras formas de atuação política de mulheres eleitas em diferentes países da América Latina. Ao apresentar histórias de sucesso e desafios superados, a série não só inspira, mas também desmistifica a ideia de que a política é um espaço inerentemente masculino, mostrando a capacidade de liderança e transformação feminina.
Dica de uso na Redação: Utilize a série para exemplificar a capacidade de inovação e liderança das mulheres na política. Pode ser usada para reforçar a ideia de que a maior representatividade feminina pode trazer novas perspectivas e soluções para os problemas sociais.
6. Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015)
A Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015) representa um marco legislativo no Brasil, ao tipificar o assassinato de mulheres por razões da condição de sexo feminino como crime hediondo. Embora seu foco principal seja a violência doméstica e a discriminação de gênero que culminam em morte, esta lei pode ser contextualizada na redação do ENEM para abordar a violência política de gênero. A ameaça e a violência contra mulheres, em qualquer esfera, incluindo a política, são barreiras que impedem a plena participação feminina, desestimulam candidaturas e minam a democracia.
Dica de uso na Redação: Use a Lei do Feminicídio para contextualizar a gravidade da violência de gênero. Argumente que a violência, inclusive a política, é um fator que inibe a participação feminina e que a existência de leis como esta, embora importante, demonstra a persistência de uma cultura machista que precisa ser combatida para garantir a segurança e a representatividade das mulheres na política.
7. Erika Hilton
Erika Hilton é uma figura política proeminente no Brasil, destacando-se como mulher negra, trans e ativista pelos direitos LGBT+. Ela fez história ao se tornar a primeira vereadora trans eleita em São Paulo e, posteriormente, uma das primeiras deputadas federais trans do país. Sua trajetória política é um poderoso exemplo da luta por representatividade interseccional, mostrando a importância de vozes que desafiam as normas de gênero e raça nos espaços de poder. A eleição de Erika Hilton simboliza um avanço significativo na visibilidade e na ocupação de cargos políticos por grupos historicamente marginalizados.
Erika Santos Silva, conhecida como Erika Hilton, é uma política brasileira e ativista pelos direitos de pessoas negras e LGBT. Hilton estudou pedagogia e gerontologia antes de entrar na política. Filiada ao Partido Socialismo e Liberdade, nas eleições de 2020, ela ganhou notoriedade nacional e internacional ao se tornar a primeira vereadora abertamente transgênero eleita para a Câmara Municipal de São Paulo, recebendo o maior número de votos para qualquer vereador no país. Em novembro de 2021, foi homenageada com um “Generation Change Award” no MTV Europe Music Awards de 2021 em Budapeste. Em 2022, ela e Duda Salabert se tornaram as duas primeiras pessoas abertamente transgênero eleitas para o Congresso Nacional do Brasil, ambas para a Câmara dos Deputados. Hilton foi homenageada como uma das 100 Mulheres da BBC em dezembro de 2022. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Utilize Erika Hilton como um exemplo concreto da superação de barreiras e da importância da representatividade de grupos minorizados na política. Ela pode ser citada para discutir a interseccionalidade das opressões (gênero, raça, sexualidade) e a necessidade de políticas inclusivas.
Leitura complementar:
8. Carlota Pereira de Queirós
Carlota Pereira de Queirós foi uma figura pioneira na política brasileira, sendo a primeira mulher a ser eleita deputada federal no Brasil, em 1933. Sua eleição, logo após a conquista do voto feminino no país, representou um marco histórico na luta por direitos políticos das mulheres. Ela participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1934, defendendo pautas importantes relacionadas à educação e aos direitos das mulheres e crianças, demonstrando que a presença feminina no parlamento é crucial para a ampliação do debate e a inclusão de novas perspectivas.
Carlota Pereira de Queirós foi uma feminista e política brasileira. Ela foi a primeira mulher a votar e ser eleita para o parlamento brasileiro, e participou da redação da Constituição de 1934. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Mencione Carlota Pereira de Queirós para contextualizar historicamente a entrada das mulheres na política brasileira, destacando os desafios iniciais e a importância dessas pioneiras para abrir caminho para as gerações futuras. Pode ser usada para contrastar o avanço inicial com a lentidão atual da representatividade.
Leitura complementar:
9. Lélia González
Lélia Gonzalez foi uma das mais importantes intelectuais e ativistas do Brasil. Socióloga, historiadora, filósofa, antropóloga e feminista negra, ela foi uma voz fundamental na defesa da interseccionalidade, conceito que analisa como diferentes formas de opressão (como raça, gênero e classe) se cruzam e se potencializam. Sua obra e militância são essenciais para compreender as especificidades da experiência das mulheres negras na sociedade e na política, evidenciando que a luta por representatividade feminina não pode desconsiderar as questões raciais.
Dica de uso na Redação: Utilize Lélia González para aprofundar a discussão sobre a interseccionalidade na política. Argumente que a baixa representatividade feminina é ainda mais acentuada entre mulheres negras, e que o combate a essa desigualdade exige uma abordagem que considere as múltiplas dimensões da identidade e da opressão.
10. Estatísticas de Gênero (IBGE)
O documento “Estatísticas de Gênero – Indicadores sociais das mulheres no Brasil”, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é uma fonte de dados oficial e confiável. Ele oferece um panorama detalhado da situação das mulheres em diversas áreas, incluindo educação, trabalho, saúde e participação política. A análise desses indicadores é crucial para quantificar as desigualdades de gênero e fundamentar a argumentação sobre a urgência de políticas que promovam a representatividade feminina.
Dica de uso na Redação: Use os dados do IBGE para fundamentar sua tese com informações concretas sobre a baixa representatividade feminina. Por exemplo, você pode citar a proporção de mulheres em cargos legislativos para demonstrar a dimensão do problema e a necessidade de ações afirmativas.
11. Think Olga
Think Olga é uma organização que se dedica à promoção da igualdade de gênero e ao empoderamento feminino. Através de campanhas de conscientização, projetos e conteúdo informativo, a Think Olga busca desconstruir estereótipos, combater a violência contra a mulher e incentivar o protagonismo feminino em todas as áreas, incluindo a política. Seu trabalho é vital para transformar a cultura e criar um ambiente mais receptivo à liderança feminina.
Dica de uso na Redação: Cite a Think Olga para argumentar sobre a importância da conscientização social e do empoderamento como estratégias para aumentar a participação feminina na política, combatendo o machismo estrutural.
12. Celina Guimarães Viana
Celina Guimarães Viana foi uma professora brasileira que, em 1926, tornou-se a primeira mulher a votar legalmente no Brasil, na cidade de Mossoró (RN). Esse ato desafiador ocorreu antes mesmo da aprovação do Código Eleitoral de 1932, que universalizou o voto feminino no país. Sua coragem em reivindicar um direito negado é um símbolo da luta das mulheres pelo reconhecimento de sua cidadania plena e sua capacidade de participar ativamente da vida política.
Celina Guimarães Viana foi uma professora e sufragista brasileira. Ela foi a primeira mulher a votar legalmente no Brasil, embora Isabel de Mattos Dillon tenha alegado ter votado em 1887. Ela o fez em 5 de abril de 1928 na cidade de Mossoró. Era filha de José Eustáquio de Amorim Guimarães e Eliza Amorim Guimarães. Estudou na Escola Normal de Natal, onde concluiu o curso de formação de professores. Foi nesta mesma escola que conheceu Elyseu de Oliveira Viana, um jovem estudante de Pirpirituba, com quem se casou em dezembro de 1911. Em 1912, foi para Acari e em 13 de janeiro de 1914, mudou-se para Mossoró. Com a promulgação da Lei nº 660 de 25 de outubro de 1927, o Rio Grande do Norte tornou-se o primeiro estado que, ao regulamentar o “Serviço Eleitoral no Estado”, estabeleceu que não haveria mais “distinção de sexo” para o exercício do sufrágio. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Cite Celina Guimarães Viana para ilustrar a dimensão histórica da luta pelo voto feminino e a persistência das mulheres em ocupar seu lugar na política, mesmo diante de proibições. Pode ser usada para mostrar que a conquista do voto foi um primeiro passo, mas não garantiu a representatividade plena.
Leitura complementar:
13. Revolta de Stonewall
A Revolta de Stonewall, em 1969, Nova York, foi um marco divisor na história do movimento LGBTQIA+. Esse levante contra a violência policial e a discriminação deu início a uma luta organizada por direitos civis e de gênero para a comunidade LGBTQIA+. Embora não seja diretamente sobre a representatividade feminina na política, Stonewall representa a capacidade de grupos marginalizados se mobilizarem por reconhecimento e direitos, inspirando todas as lutas por inclusão e diversidade nos espaços de poder, incluindo as mulheres LGBTQIA+ na política.
Dica de uso na Redação: Utilize a Revolta de Stonewall para argumentar que a luta por representatividade feminina na política se insere em um contexto mais amplo de reivindicação de direitos por grupos minorizados. Pode ser usada para defender a necessidade de uma política que abrace a diversidade de gênero e orientação sexual.
14. Benedita da Silva
Benedita da Silva é uma das mais emblemáticas figuras da política brasileira. Mulher negra, oriunda da favela, ela superou inúmeras barreiras para se tornar a primeira governadora mulher e afro-brasileira do estado do Rio de Janeiro, além de Ministra em diversas pastas. Sua trajetória é um poderoso testemunho da capacidade de liderança feminina e da importância da representatividade de mulheres negras em cargos de poder, onde ela consistentemente defendeu os direitos das mulheres, a igualdade de gênero e a justiça social.
Benedita Souza da Silva Sampaio é uma política brasileira. De origem trabalhadora, enfrentou preconceitos de classe e raça, superando-os para se tornar a primeira governadora mulher e afro-brasileira do Estado do Rio de Janeiro e, posteriormente, Ministra da referida Secretaria de Estado também no Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Cite Benedita da Silva como um exemplo inspirador de superação e de como a representatividade de mulheres negras é vital para a formulação de políticas mais inclusivas e para a quebra de paradigmas sociais e políticos.
Leitura complementar:
15. Marielle Franco
Marielle Franco foi uma vereadora do Rio de Janeiro, socióloga, feminista e ativista de direitos humanos, brutalmente assassinada em 2018. Sua trajetória política foi marcada pela defesa intransigente dos direitos das mulheres, da população negra, das comunidades LGBTQIA+ e dos moradores de favelas. O assassinato de Marielle, uma mulher negra e lésbica em ascensão política, tornou-se um símbolo da violência política de gênero e raça no Brasil, evidenciando os riscos e as barreiras enfrentadas por mulheres que ousam desafiar o status quo e ocupar espaços de poder.
Marielle Franco foi uma política, socióloga, feminista, socialista e ativista de direitos humanos brasileira. Franco atuou como vereadora da Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade de janeiro de 2017 até seu assassinato. Em 14 de março de 2018, enquanto estava em um carro após proferir um discurso na zona norte do Rio de Janeiro, Franco e seu motorista foram baleados várias vezes e mortos por dois ex-policiais que viajavam em outro veículo. Franco havia sido uma crítica vocal da brutalidade policial e das execuções extrajudiciais, bem como da intervenção federal de fevereiro de 2018 do presidente brasileiro Michel Temer no estado do Rio de Janeiro, que resultou no envio do exército em operações policiais. Em março de 2019, Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz foram presos e acusados do assassinato de Marielle Franco e seu motorista. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Marielle Franco é um repertório potente para discutir a violência política de gênero e raça como um dos principais obstáculos à representatividade feminina. Pode ser usada para argumentar sobre a urgência de proteger mulheres na política e garantir que suas vozes não sejam silenciadas.
Leitura complementar:
- Políticos brasileiros assassinados
- Pessoas mortas a tiros por policiais no Brasil
- Brutalidade policial no Brasil
16. As Sufragistas
O filme “As Sufragistas” (Suffragette, 2015) é uma obra cinematográfica que retrata com sensibilidade e força a luta das mulheres britânicas pelo direito ao voto no início do século XX. A trama mostra os desafios, sacrifícios e a resiliência dessas ativistas, que enfrentaram a opressão e a violência para conquistar sua cidadania política. O filme serve como um lembrete poderoso de que a participação feminina na política não foi um presente, mas uma conquista árdua, e que a luta por representatividade continua em outras frentes.
Dica de uso na Redação: Utilize “As Sufragistas” para contextualizar historicamente a batalha das mulheres por direitos políticos. Pode ser usada para argumentar que a conquista do voto foi apenas o primeiro passo e que a baixa representatividade atual demonstra que ainda há um longo caminho a percorrer para a plena igualdade.
17. Transversais
O documentário brasileiro “Transversais” apresenta as histórias de cinco pessoas transexuais de diferentes idades, classes sociais e profissões, oferecendo um olhar íntimo sobre suas experiências e desafios. Ao abordar a vivência trans no Brasil, o documentário contribui para a desconstrução de preconceitos e a promoção da visibilidade. Na redação, pode ser utilizado para expandir o conceito de representatividade feminina para além do binarismo de gênero, incluindo as mulheres trans e a necessidade de que suas vozes e pautas sejam contempladas nos espaços políticos.
Dica de uso na Redação: Use “Transversais” para abordar a importância da representatividade trans na política, dentro do espectro mais amplo da representatividade feminina. Argumente que a inclusão de mulheres trans é essencial para uma democracia verdadeiramente diversa e para a defesa dos direitos de toda a comunidade LGBTQIA+.
18. Wangari Maathai
Wangari Maathai foi uma notável ambientalista e ativista política queniana, reconhecida internacionalmente por fundar o Movimento Cinturão Verde, que plantou milhões de árvores para combater o desmatamento, a pobreza e a opressão. Ela foi a primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 2004, por sua visão holística que unia a proteção ambiental à promoção dos direitos humanos, da democracia e, crucialmente, da igualdade de gênero. Sua trajetória exemplifica como a liderança feminina pode ser transformadora e integrar diferentes agendas sociais e políticas.
Wangarĩ Maathai foi uma ativista social, ambiental e política queniana que fundou o Movimento Cinturão Verde, uma organização não governamental ambiental focada em plantar árvores, conservação ambiental e direitos das mulheres. Em 2004, ela se tornou a primeira mulher africana a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Como beneficiária do Kennedy Airlift, estudou nos Estados Unidos, obtendo um bacharelado no Mount St. Scholastica College em Atchison, Kansas, e um mestrado na Universidade de Pittsburgh em Pittsburgh. Em seguida, tornou-se a primeira mulher na África Oriental e Central a obter um Doutorado em Filosofia, recebendo seu Ph.D. da Universidade de Nairóbi em Nairóbi, Quênia. Em 1984, recebeu o Prêmio Right Livelihood por “converter o debate ecológico queniano em ação em massa para o reflorestamento.” Saiba mais
Dica de uso na Redação: Cite Wangari Maathai para ilustrar a capacidade de liderança feminina em diversas esferas, incluindo a política e o meio ambiente. Ela pode ser usada para argumentar que a presença de mulheres em cargos de decisão traz uma perspectiva mais ampla e integrada para a resolução de problemas sociais e ambientais.
Leitura complementar:
- Mottainai – Mottainai é uma frase japonesa que transmite um sentimento de arrependimento pelo desperdício, ou para afirmar que não se merece
- Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD-IV), 2008.
- Organização para o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Mulher – A Organização para o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Mulher é uma organização internacional
19. Thammy Miranda
Thammy Miranda é um ator e político brasileiro transgênero que se tornou uma figura pública relevante na defesa da diversidade e inclusão. Sua trajetória, desde a transição de gênero até a eleição para vereador em São Paulo, desafia estereótipos e promove a discussão sobre a identidade de gênero nos espaços públicos e políticos. Embora seja um homem trans, sua visibilidade e atuação política contribuem para a desconstrução de preconceitos de gênero, abrindo caminho para uma maior aceitação e representatividade de todas as identidades na política.
Thammy Brito de Miranda Silva é um ator e repórter brasileiro. Ele iniciou sua carreira na indústria do entretenimento, atuando como cantor, modelo e dançarino, antes de se voltar para a atuação e a política. Ele é filho da cantora Gretchen e sobrinho da cantora Sula Miranda. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Use Thammy Miranda para discutir a importância da representatividade LGBTQIA+ na política e como a visibilidade de figuras que desafiam o binarismo de gênero contribui para um ambiente político mais inclusivo e para a desconstrução de preconceitos, beneficiando a luta por representatividade feminina em um sentido mais amplo.
Leitura complementar:
- Políticos do Partido Social Cristão (Brasil)
- Atores masculinos de São Paulo
- Políticos do Partido Socialista Brasileiro
20. Sempre foi sobre nós – Relatos da violência política de gênero no Brasil
O livro “Sempre foi sobre nós – Relatos da violência política de gênero no Brasil” é uma obra crucial que compila testemunhos e análises sobre as diversas formas de violência que mulheres enfrentam ao tentar participar da vida política brasileira. Desde assédios e ameaças até ataques difamatórios e, em casos extremos, assassinatos, a violência política de gênero é uma barreira concreta que impede a plena representatividade feminina. Este livro expõe a gravidade do problema e a necessidade urgente de mecanismos de proteção e combate a essa violência.
Dica de uso na Redação: Utilize este livro como um forte repertório para argumentar sobre a violência política de gênero como um dos principais fatores que desestimulam e impedem a participação feminina. Pode ser usado para propor a criminalização da violência política e a criação de redes de apoio.
21. Silvia Federici
Silvia Federici é uma proeminente teórica feminista italiana, cuja obra “Calibã e a Bruxa” é fundamental para entender a relação entre gênero, capitalismo e a reprodução social. Ela argumenta que a desvalorização do trabalho doméstico e reprodutivo, historicamente realizado por mulheres sem remuneração, foi essencial para a acumulação capitalista e para a exclusão das mulheres do espaço público e político. Sua teoria ilumina como a divisão sexual do trabalho e a subordinação feminina fora da esfera produtiva contribuíram para a baixa representatividade política das mulheres.
Silvia Federici é uma acadêmica, professora e ativista feminista marxista ítalo-americana radicada em Nova York. Ela é considerada uma das principais teóricas da teoria feminista marxista, história das mulheres, filosofia política e história e teoria dos bens comuns. Seu livro mais famoso, “Calibã e a Bruxa”, foi traduzido para várias línguas e adotado em cursos universitários. Por várias décadas, ela trabalhou com uma variedade de organizações feministas internacionais, como Mulheres na Nigéria e a Ni una menos, sediada na América Latina, para combater a violência de gênero. Nos anos 2010, ela organizou um projeto com coletivos feministas na Espanha para reconstruir a história das mulheres perseguidas como bruxas na Europa moderna, e para aumentar a conscientização sobre o que ela acredita serem caças às bruxas contemporâneas ainda ocorrendo em todo o mundo. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Use Silvia Federici para abordar as raízes históricas e econômicas da exclusão feminina da política. Argumente que a desvalorização do trabalho reprodutivo e a histórica confinamento das mulheres ao espaço privado são fatores que contribuem para a sua sub-representação nos espaços de poder.
Leitura complementar:
22. A Cor Púrpura
“A Cor Púrpura”, obra aclamada de Alice Walker, narra a trajetória de Celie, uma mulher negra, pobre e semianalfabeta que enfrenta múltiplas violências de gênero e raça no sul dos Estados Unidos, no início do século XX. O livro, vencedor do Prêmio Pulitzer, é um poderoso retrato da opressão sistêmica e da resiliência feminina. Na redação do ENEM, pode ser utilizado para ilustrar como a interseccionalidade das opressões (ser mulher, negra e pobre) cria barreiras ainda maiores para a ascensão social e política, dificultando a participação e a representatividade dessas mulheres nos espaços de poder.
Dica de uso na Redação: Cite “A Cor Púrpura” para exemplificar as complexas camadas de opressão (gênero, raça, classe) que historicamente marginalizam as mulheres, especialmente as negras, impedindo-as de acessar espaços de poder. Pode ser usada para argumentar sobre a necessidade de políticas afirmativas que considerem essas interseccionalidades.
23. Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero (Projeto de Lei nº 134/2018)
O Projeto de Lei nº 134/2018, conhecido como Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero, tinha como objetivo combater e criminalizar a discriminação baseada na orientação sexual ou identidade de gênero. A não aprovação deste PL, apesar de sua relevância, reflete a resistência e os desafios enfrentados na legislação brasileira para garantir direitos e proteção a grupos LGBTQIA+. Na redação, este repertório é poderoso para argumentar que a ausência de marcos legais específicos e a baixa representatividade de parlamentares que defendam essas pautas dificultam o avanço de uma legislação mais inclusiva, impactando diretamente a segurança e a participação política de mulheres LGBTQIA+.
Dica de uso na Redação: Utilize o Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero, especialmente sua não aprovação, para demonstrar a fragilidade do aparato legal em proteger a comunidade LGBTQIA+ e a importância da representatividade de parlamentares que defendam essas causas. Pode ser usado para criticar a lentidão do legislativo em pautas progressistas.
24. Duda Salabert
Duda Salabert é uma política, ambientalista e professora brasileira que tem feito história na política nacional. Em 2020, tornou-se a primeira pessoa transgênero a ser eleita vereadora em Belo Horizonte, com uma votação expressiva. Posteriormente, foi eleita deputada federal por Minas Gerais, consolidando sua posição como uma voz potente para a comunidade LGBTQIA+ e para a pauta ambiental. Sua trajetória é um forte exemplo da quebra de barreiras e da importância da representatividade trans para uma democracia mais plural e inclusiva, que considera as complexidades da identidade de gênero.
Duda Salabert Rosa é uma política, ambientalista e professora brasileira. Em 2020, ela se tornou a primeira pessoa transgênero a servir na câmara municipal de Belo Horizonte após fazer campanha como candidata do Partido Democrático Trabalhista. Ela foi eleita com mais de 37.000 votos, mais do que qualquer candidato a vereador na história de Minas Gerais na época. Desde 2023, ela representa o estado de Minas Gerais como deputada federal. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Cite Duda Salabert como um exemplo contemporâneo da luta e conquista de representatividade por mulheres (e pessoas trans) na política brasileira. Ela pode ser usada para ilustrar como a diversidade de gênero e a pauta ambiental se entrelaçam e são cruciais para um futuro mais equitativo.
Leitura complementar:
- Ambientalistas brasileiros
- Políticos do Partido Democrático Trabalhista (Brasil)
- Ativistas do veganismo
25. Marsha P. Johnson
Marsha P. Johnson foi uma ativista transgênero negra, figura central na Revolta de Stonewall de 1969 e cofundadora da Street Transvestite Action Revolutionaries (STAR), uma das primeiras organizações a acolher jovens trans e drag queens sem-teto. Conhecida como “Santa da Christopher Street”, sua vida e militância foram dedicadas à defesa dos direitos LGBTQIA+ e à luta por dignidade para pessoas marginalizadas. Embora tenha atuado em um contexto diferente da política eleitoral formal, sua luta por direitos de gênero e identidade é um pilar para a compreensão da necessidade de representatividade para todas as mulheres, incluindo as trans e as mulheres negras, nos espaços de poder.
Marsha P. Johnson foi uma ativista LGBTQ americana, trabalhadora sexual e performer. Às vezes conhecida como a “Santa da Christopher Street”, ela é considerada uma figura importante nos movimentos pelos direitos LGBTQ e transgêneros devido ao seu envolvimento nos motins de Stonewall, seu trabalho com a Street Transvestite Action Revolutionaries e sua defesa de pessoas com AIDS. Nascida em Elizabeth, Nova Jersey, Johnson usou roupas femininas pela primeira vez quando tinha cinco anos. Depois de se formar no ensino médio, mudou-se para Manhattan, onde passava regularmente tempo na 42nd Street, na Times Square, trabalhando nos restaurantes Childs locais e complementando sua renda com mendicância e trabalho sexual. Frequentemente saindo com parte do vestuário drag, ela ficou conhecida por seus acessórios vibrantes. Ela participou dos motins de Stonewall em 1969, embora seu papel exato seja debatido, e depois, foi ativa na Gay Activists Alliance e na Gay Liberation Front. Saiba mais
Dica de uso na Redação: Use Marsha P. Johnson para contextualizar a luta por direitos de gênero e identidade em um âmbito mais amplo, que pavimentou o caminho para a busca por representatividade em espaços formais de poder. Ela pode ser citada para argumentar que a inclusão de mulheres trans e negras na política é uma extensão natural das lutas históricas por dignidade e reconhecimento.
Leitura complementar:
- Lee Brewster – fundador da Queens Liberation Front.
- Cultura LGBT em Nova York – Nova York foi descrita como a capital gay do mundo e o nó central de
- Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Nova York – A Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Nova York é um evento anual que celebra a comunidade LGBTQIA+ na cidade de Nova York.
Referências e textos motivadores
1) Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de representação parlamentar de mulheres
Novos dados da União Interparlamentar (UIP) e da ONU Mulheres revelam um progresso limitado no alcance da igualdade de gênero na liderança política. A edição 2025 do mapa “Mulheres na política: 2025” mostra que os homens continuam a superar as mulheres em mais de três vezes nas posições executivas e legislativas em todo o mundo. O Brasil segue a tendência dos últimos anos e continua mal posicionado: o país ocupa a 133ª colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres e a 53ª posição no ranking de representação ministerial.
Apesar de as Américas apresentarem a maior proporção de mulheres parlamentares no mundo (35,4%), o Brasil tem índices muito abaixo da média do continente. Apenas 18,1% da Câmara dos Deputados é composta por mulheres, ou seja, 93 parlamentares. No Senado, elas são 19,8%, somando apenas 16 mulheres. Esses números colocam o país entre os piores desempenhos globais nesse quesito.
Nos ministérios, a situação é um pouco melhor: 10 das 31 pastas são comandadas por mulheres, o equivalente a 32,3% dos cargos ministeriais. Ainda assim, o Brasil está distante dos nove países que atingiram a paridade de g&ê;nero nos gabinetes, com 50% ou mais de mulheres ministras.
Disponível em: https://www.onumulheres.org.br/noticias/brasil-ocupa-a-133a-posicao-no-ranking-global-de-representacao-parlamentar-de-mulheres/. Acesso em: 30 set. 2025.
2) Onde estão as mulheres na política? É preciso enfrentar a colonialidade e o patriarcado para a política também ser feminina
Não há democracia sem mulheres na política. É mais do que urgente debatermos ações que garantam a maior participação feminina no poder. Somos uma nação de 104 milhões de mulheres, o que corresponde a 51% da população brasileira. Precisamos de leis escritas por mulheres e para mulheres. No entanto, desde o início da República, em 1889, o país teve uma única presidenta, Dilma Rousseff, e 16 governadoras mulheres. Dessas, só oito foram eleitas para o cargo. As demais eram vice-governadoras que ocuparam o posto com a saída do titular.
Os dados revelam a nossa história em uma sociedade patriarcal. Superamos o colonialismo, mas ainda precisamos enfrentar a colonialidade. E a questão de gênero é fundamental na busca dessa reparação. Gênero e raça, precisamos dizer. Afinal, sempre foi um projeto que não fôssemos parte da política. Vejam só: apenas com o Código Eleitoral de 1932, há 90 anos, o voto feminino foi autorizado em todo o Brasil.
Se o ritmo do aumento do número de mulheres prefeitas verificado entre 2016 e 2020, de 11,5% a 12,1%, for mantido, a expectativa é de que o Brasil leve 144 anos para alcançar a igualdade de gênero. A baixa representatividade de mulheres e pessoas negras nas esferas do poder público é, portanto, um grave problema político a ser enfrentado com urgência.
Talíria Petrone. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2024/07/19/onde-estao-as-mulheres-na-politica-e-preciso-enfrentar-a-colonialidade-e-o-patriarcado-para-a-pol%C3%ADtica-tambem-ser-feminina/. Acesso em: 30 set. 2025 (adaptado).
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