A redação do ENEM não é apenas um teste de gramática, mas uma oportunidade de demonstrar seu conhecimento de mundo e sua capacidade argumentativa. Quando o tema aborda os “Desafios para combater o racismo cultural no Brasil”, ter um arsenal de repertórios socioculturais bem fundamentados é o seu diferencial para uma nota mil.
Repertórios essenciais para enriquecer sua redação
1. Ruth de Souza
Ruth de Souza foi uma atriz brasileira pioneira, um ícone da representatividade negra nas artes. Nascida no Rio de Janeiro, em 1945, tornou-se a primeira atriz afro-brasileira a se apresentar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na peça “O Imperador Jones”. Em 1954, foi a primeira atriz afro-brasileira indicada ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional de cinema por sua atuação em “Sinhá Moça” na Mostra de Veneza. Sua trajetória é um marco na luta por visibilidade, quebra de barreiras e valorização da população negra no cenário cultural brasileiro, desafiando o apagamento histórico e o racismo cultural.
Dica de Uso na Redação: Utilize a trajetória de Ruth de Souza para exemplificar como a presença e o talento de artistas negros em espaços de destaque são fundamentais para desconstruir estereótipos e promover a inclusão, combatendo a invisibilidade imposta pelo racismo cultural.
Exemplo de Parágrafo de Introdução:
No contexto dos desafios para combater o racismo cultural no Brasil, a arte e a cultura emergem como potentes ferramentas de transformação social. A trajetória de figuras como Ruth de Souza, uma das maiores atrizes brasileiras e pioneira na quebra de barreiras raciais no teatro e cinema nacional, ilustra vividamente como a representatividade negra no cenário artístico pode desconstruir estereótipos e promover a valorização da identidade afro-brasileira, evidenciando a necessidade urgente de combater a invisibilidade e o preconceito enraizados na sociedade.
2. Milton Nascimento
Milton Silva Campos do Nascimento, conhecido como Bituca, é um cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro. Com uma carreira laureada por cinco prêmios Grammy e doze Prêmios da Música Brasileira, Milton Nascimento é um ícone da MPB. Sua obra, que mescla influências africanas, indígenas e europeias, reflete a riqueza e a diversidade da cultura brasileira, sendo um contraponto ao apagamento da contribuição negra na formação cultural do país e um símbolo da valorização da identidade afro-brasileira.
Dica de Uso na Redação: Utilize Milton Nascimento para argumentar sobre a importância da valorização da diversidade cultural e do reconhecimento das raízes africanas na música brasileira, combatendo o racismo que tenta silenciar essas vozes e expressões artísticas.
Exemplo de Parágrafo de Argumentação:
Ademais, a persistência do racismo cultural no Brasil pode ser evidenciada pela subvalorização de expressões artísticas e intelectuais de matriz africana. Nesse sentido, a obra de Milton Nascimento, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, serve como um poderoso contraponto. Suas composições, repletas de referências à ancestralidade africana e à cultura mineira, demonstram a riqueza e a complexidade da identidade negra brasileira. Ao celebrar essa herança cultural e alcançar reconhecimento global, Milton Nascimento não apenas eleva a autoestima da população negra, mas também desafia a visão eurocêntrica que historicamente tentou marginalizar e inferiorizar as manifestações culturais afro-brasileiras. Assim, a difusão e o reconhecimento de sua arte são cruciais para desmantelar os pilares do racismo cultural e promover uma sociedade mais equitativa e plural.
3. CNPIR (Conselho Nacional de Políticas de Igualdade Racial)
O Conselho Nacional de Políticas de Igualdade Racial (CNPIR) é um órgão colegiado do governo federal que tem como finalidade propor, monitorar e avaliar políticas públicas de promoção da igualdade racial. Sua existência e atuação são cruciais para o combate ao racismo institucional e cultural, pois busca garantir os direitos da população negra e outras comunidades tradicionais, promovendo a valorização de suas identidades e o acesso equitativo a oportunidades.
Dica de Uso na Redação: Pode ser utilizado para argumentar sobre a importância das políticas públicas e da atuação estatal na promoção da igualdade racial e no combate às estruturas racistas presentes na sociedade.
4. A Ralé Brasileira (Jessé Souza)
O livro “A Ralé Brasileira: Quem é e Como Vive” do sociólogo Jessé Souza, explora a fundo a estrutura de exclusão social no Brasil, revelando como o racismo é um dos pilares que perpetuam a marginalização e a vulnerabilidade da população negra. A obra demonstra que a desigualdade no país não se limita à questão econômica, mas é profundamente enraizada em um racismo estrutural que desvaloriza e oprime culturalmente grande parte da sociedade.
Dica de Uso na Redação: Utilize a análise de Jessé Souza para contextualizar o racismo cultural como parte de uma estrutura social mais ampla que gera desigualdades e marginalização, reforçando a necessidade de combater as raízes históricas do preconceito.
5. Maria Firmina dos Reis
Maria Firmina dos Reis foi uma escritora brasileira, reconhecida como a primeira romancista negra do país. Em 1859, publicou “Úrsula”, considerado o primeiro romance abolicionista brasileiro. A obra, que narra um triângulo amoroso, questiona profundamente o sistema escravista, trazendo à tona a humanidade e o sofrimento dos escravizados. Seu trabalho é de imensa importância para a literatura nacional e para a representatividade negra, desafiando o apagamento da voz e da perspectiva negra na produção cultural da época.
Dica de Uso na Redação: Para ilustrar a resistência negra através da literatura e a importância de vozes pioneiras na denúncia do racismo e da escravidão, evidenciando o poder da arte para confrontar injustiças culturais e sociais.
6. Shirley para Presidente (Shirley Chisholm)
O filme “Shirley para Presidente” (Shirley, no título original) é inspirado na vida de Shirley Chisholm, a primeira mulher negra eleita para o Congresso dos Estados Unidos e a primeira mulher negra a concorrer à presidência do país por um grande partido. Sua trajetória é um poderoso repertório sobre a luta por representatividade política, a quebra de barreiras raciais e de gênero, e a persistência do racismo e machismo em esferas de poder, inspirando a busca por uma sociedade mais igualitária.
Dica de Uso na Redação: Aborde o filme para discutir a sub-representação de mulheres negras na política e a importância de figuras pioneiras que desafiam as estruturas de poder racistas e patriarcais.
7. Leci Brandão
Leci Brandão é uma figura multifacetada na cultura e política brasileira: cantora, compositora e deputada estadual. Vencedora do Encontro Nacional de Compositores de Samba em 1973 com “Quero Sim”, sua carreira musical é marcada pela defesa da cultura popular e da identidade afro-brasileira. Como mulher negra, artista e política, Leci Brandão sempre se posicionou firmemente contra o racismo, a homofobia e todas as formas de discriminação, utilizando sua voz e influência para pautar debates sociais importantes e promover a igualdade.
Dica de Uso na Redação: Para exemplificar a força da arte e da política como plataformas de ativismo e combate ao racismo e outras opressões no Brasil, destacando a importância da voz negra na esfera pública.
8. A Negação do Brasil (Joel Zito Araújo)
O documentário “A Negação do Brasil – o negro na telenovela brasileira”, de Joel Zito Araújo, é uma análise contundente sobre as representações estereotipadas e a marginalização de personagens negros nas telenovelas brasileiras. A obra demonstra como a mídia, ao perpetuar clichês e a invisibilidade, reflete e reforça o racismo cultural na sociedade, contribuindo para a desvalorização da identidade negra e a manutenção de preconceitos.
Dica de Uso na Redação: Utilize o documentário para criticar o papel da mídia na perpetuação do racismo cultural e para defender a necessidade de representações mais diversas e autênticas da população negra.
9. Angela Davis
Angela Davis é uma renomada ativista, filósofa e escritora negra norte-americana, cujas teorias sobre racismo, feminismo e encarceramento em massa são fundamentais para entender o racismo estrutural. Suas análises sobre a interseccionalidade das opressões (raça, classe, gênero) são aplicáveis à realidade brasileira, onde o racismo se manifesta de forma complexa e interligada a outras desigualdades, exigindo um combate multifacetado.
Dica de Uso na Redação: Para fundamentar argumentos sobre o racismo estrutural e a interseccionalidade das opressões na sociedade brasileira, mostrando como diferentes formas de discriminação se entrelaçam.
10. Kabengele Munanga
Kabengele Munanga é um antropólogo congolês-brasileiro, professor e especialista na antropologia afro-brasileira. Sua vasta pesquisa sobre o racismo na sociedade brasileira é crucial para a compreensão das dinâmicas raciais e da construção da identidade negra no país. Doutor em antropologia pela USP, Munanga contribui significativamente para o desvelamento do racismo cultural e suas manifestações, defendendo a valorização da cultura africana e afro-brasileira como caminho para a superação do preconceito.
Dica de Uso na Redação: Para embasar discussões acadêmicas sobre a formação do racismo no Brasil, a construção da identidade negra e a importância do estudo da cultura afro-brasileira como ferramenta antirracista.
11. Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010)
O Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) é uma legislação fundamental que visa a coibir a discriminação racial e a estabelecer políticas para diminuir a desigualdade social existente entre os diferentes grupos raciais no Brasil. Ele garante direitos e promove ações afirmativas para a população negra, reconhecendo a necessidade de reparação histórica e de valorização da diversidade cultural como forma de combater o racismo em suas diversas manifestações.
Dica de Uso na Redação: Utilize o Estatuto para discutir a importância das leis e políticas públicas na garantia de direitos e no combate à discriminação racial, mas também para apontar os desafios em sua plena implementação.
12. Joel Zito Araújo
Joel Zito Araújo é um renomado cineasta, roteirista e produtor brasileiro, cuja obra é dedicada a explorar e denunciar as questões raciais no Brasil. Com filmes e documentários premiados, como “A Negação do Brasil” (já citado) e “Filhas do Vento”, ele desafia estereótipos, promove a visibilidade da população negra e critica a forma como o racismo cultural se manifesta na mídia e na sociedade, tornando-se uma voz essencial no combate ao preconceito através da sétima arte.
Dica de Uso na Redação: Para ilustrar como o cinema e a produção audiovisual podem ser ferramentas potentes de denúncia, conscientização e valorização da cultura negra, combatendo o racismo cultural.
13. Lei nº 10.639/2003
A Lei nº 10.639/2003 é um marco legislativo que determina a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas de ensino fundamental e médio. Essa legislação é crucial para combater o racismo cultural ao promover a valorização da ancestralidade, da identidade e da contribuição do povo negro para a formação do Brasil, desconstruindo preconceitos e estereótipos desde a base educacional.
Dica de Uso na Redação: Aborde a Lei 10.639 para discutir a importância da educação como ferramenta antirracista e para questionar a efetividade de sua implementação, especialmente considerando os desafios apresentados nos textos motivadores.
14. Rosa Parks
Rosa Parks foi uma icônica ativista negra americana cujo ato de desobediência civil, ao recusar-se a ceder seu assento em um ônibus para um branco em 1955, desencadeou o Boicote aos Ônibus de Montgomery. Esse evento histórico se tornou um marco na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, simbolizando a resistência individual contra a segregação racial e inspirando movimentos por igualdade em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde o racismo também impõe segregações veladas e explícitas.
Dica de Uso na Redação: Para exemplificar a força da resistência individual e coletiva contra leis e práticas racistas, mostrando como pequenos atos de coragem podem gerar grandes transformações sociais.
15. Pantera Negra (Filme)
O filme “Pantera Negra” (2018), da Marvel, transcendeu o gênero de super-heróis ao apresentar um reino africano avançado e autossuficiente (Wakanda), desconstruindo estereótipos e promovendo uma representação poderosa e positiva da cultura e liderança negra. O longa aborda temas como identidade, ancestralidade, justiça social e o valor da cultura africana, tornando-se um marco na luta por representatividade e no combate ao racismo cultural no cinema global.
Dica de Uso na Redação: Para discutir a importância da representatividade positiva na mídia, o impacto cultural de narrativas que valorizam a identidade negra e como a arte pode subverter estereótipos racistas.
- Panteras Negras F.C.: Um clube de futebol português do Porto.
- Black Pantera: Uma banda brasileira de crossover thrash fundada em Uberaba, Minas Gerais, no início de 2014.
16. Maju Coutinho
Maria Júlia “Maju” Coutinho Moura é uma jornalista e apresentadora brasileira que se tornou um símbolo de representatividade ao ocupar posições de destaque na televisão, como bancada do Jornal Nacional e apresentação do Fantástico. Sua ascensão profissional, apesar dos desafios impostos pelo racismo no ambiente midiático e dos ataques que sofreu, demonstra a capacidade e o talento da população negra, ao mesmo tempo em que expõe a necessidade de mais espaço e reconhecimento para profissionais negros e a persistência do racismo cultural na sociedade.
Dica de Uso na Redação: Para ilustrar a importância da representatividade negra em espaços de poder e influência na mídia brasileira, e para abordar os desafios e a violência do racismo enfrentados por essas figuras.
17. O Ódio que Você Semeia (Filme)
O filme “O Ódio que Você Semeia” (The Hate U Give) aborda de forma impactante o racismo e a violência policial contra a população negra nos Estados Unidos, um reflexo de realidades também presentes no Brasil. A narrativa demonstra como o ódio e o preconceito, enraizados na cultura e nas instituições, afetam profundamente a vida de jovens negros, suas famílias e comunidades, expondo a urgência de combater o racismo estrutural e cultural.
Dica de Uso na Redação: Utilize o filme para discutir a violência do racismo e a brutalidade policial como manifestações do racismo cultural e estrutural, e a importância de dar voz às vítimas dessas injustiças.
18. Cadernos Negros
Os “Cadernos Negros” são uma coletânea anual de poesias e contos escritos por autores negros brasileiros, publicada pelo Quilombhoje Literatura desde 1978. Essa iniciativa é um pilar fundamental para a literatura afro-brasileira, pois oferece um espaço vital para a expressão de vozes negras, que historicamente foram marginalizadas. A coletânea aborda a experiência da população negra, suas lutas, identidades, amores e dores, sendo um poderoso instrumento de combate ao racismo cultural e de valorização da produção intelectual negra.
Dica de Uso na Redação: Para argumentar sobre a importância da literatura e da produção cultural independente na valorização da identidade negra e na resistência contra o apagamento cultural promovido pelo racismo.
19. Cara Gente Branca (Série)
A série “Cara Gente Branca” (Dear White People), da Netflix, aborda a vida de estudantes negros em uma universidade elitista americana, explorando de forma satírica e perspicaz as nuances do racismo, da identidade e do ativismo. A produção expõe as microagressões, os preconceitos velados e as tensões raciais presentes em ambientes acadêmicos, destacando as lutas e resistências da juventude negra diante do racismo cultural e estrutural.
Dica de Uso na Redação: Utilize a série para discutir como o racismo cultural se manifesta em ambientes supostamente progressistas, como universidades, e a importância do ativismo estudantil na luta por inclusão e equidade.
20. Djamila Ribeiro
Djamila Taís Ribeiro dos Santos é uma das mais proeminentes intelectuais, filósofas e ativistas negras brasileiras da atualidade. Seus livros, como “Pequeno Manual Antirracista” e “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?”, abordam o racismo estrutural, o feminismo negro e a interseccionalidade, oferecendo ferramentas conceituais para a desconstrução do racismo cultural e a promoção de uma sociedade mais justa e equitativa. Sua atuação é fundamental para o debate público sobre as questões raciais no Brasil.
Dica de Uso na Redação: Para embasar argumentos teóricos sobre o racismo estrutural, a interseccionalidade e as estratégias de combate propostas pelo feminismo negro, mostrando a profundidade do pensamento antirracista no Brasil.
21. O Sol é Para Todos (Livro)
“O Sol é Para Todos” (To Kill a Mockingbird), de Harper Lee, é um clássico da literatura americana que aborda a injustiça racial no sul dos EUA durante a Grande Depressão. Através da perspectiva infantil, o livro expõe o preconceito, a segregação e a falha do sistema judiciário em proteger um homem negro inocente, sendo um poderoso retrato do racismo estrutural e da intolerância, cujas lições ressoam com os desafios enfrentados no Brasil.
Dica de Uso na Redação: Utilize o livro para discutir a persistência da injustiça racial e a falha das instituições em garantir direitos iguais a todos, independentemente da cor da pele.
22. Na Minha Pele (Lázaro Ramos)
“Na Minha Pele” é um livro autobiográfico de Lázaro Ramos, no qual o ator e escritor compartilha suas experiências e reflexões sobre ser negro no Brasil. A obra, que também inspirou um documentário, aborda de forma profunda e pessoal as nuances do racismo, a busca por identidade e representatividade, e a importância da autoestima e da luta antirracista. É um depoimento essencial para compreender as vivências da população negra e o impacto do racismo cultural no cotidiano.
Dica de Uso na Redação: Para usar a perspectiva pessoal e a vivência do racismo como um argumento sobre a necessidade de autoconhecimento, valorização da identidade negra e o enfrentamento das dores impostas pelo racismo.
23. Olhos d’água (Conceição Evaristo)
“Olhos d’água” é uma coletânea de contos da aclamada escritora Conceição Evaristo. A obra mergulha nas profundezas da experiência feminina e negra no Brasil, retratando com sensibilidade e força as vivências de personagens que enfrentam o racismo, a pobreza e a violência, mas que também demonstram uma resiliência notável e uma busca incessante por dignidade, identidade e afeto. A literatura de Conceição Evaristo é um grito potente contra o racismo cultural e social, dando voz a quem historicamente foi silenciado.
Dica de Uso na Redação: Para contextualizar a literatura como espelho das realidades sociais e ferramenta de denúncia do racismo e das desigualdades, valorizando a produção literária negra.
24. Chimamanda Ngozi Adichie
Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana aclamada mundialmente, reconhecida por suas obras de ficção e não ficção que exploram temas como identidade, feminismo, imigração e racismo. Sua palestra “O perigo de uma história única” é particularmente relevante para o combate ao racismo cultural, pois alerta sobre os riscos de reduzir a complexidade de povos e culturas a um único estereótipo, promovendo uma visão mais plural, empática e descolonizada do mundo.
Dica de Uso na Redação: Para discutir a importância da diversidade de narrativas e a desconstrução de estereótipos na luta contra o racismo cultural, mostrando como a falta de múltiplas perspectivas perpetua preconceitos.
25. A Cor Púrpura (Filme)
O filme “A Cor Púrpura” (The Color Purple), dirigido por Steven Spielberg e baseado no livro de Alice Walker, retrata a vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos no início do século XX. A obra expõe de forma crua a luta contra o racismo, o machismo e a violência em um contexto de profunda opressão. É um poderoso testemunho da resiliência feminina negra, da busca por liberdade e do valor da sororidade, ressoando com as complexas formas de racismo cultural e de gênero no Brasil.
Dica de Uso na Redação: Para abordar a interseccionalidade do racismo e do machismo, e a resiliência da mulher negra na superação de adversidades e na busca por sua voz e dignidade.
26. Djonga
Gustavo Pereira Marques, o Djonga, é um dos mais influentes rappers e compositores brasileiros da atualidade. Conhecido por suas letras diretas e potentes, ele utiliza o rap como ferramenta de denúncia do racismo estrutural, da violência policial e das desigualdades sociais que afetam a população negra e periférica no Brasil, dando voz a uma realidade muitas vezes silenciada e confrontando o racismo cultural com arte e crítica social.
Dica de Uso na Redação: Para exemplificar a música como forma de protesto e conscientização sobre o racismo e as injustiças sociais, destacando o papel do rap como voz da periferia.
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27. Samba de Santo – Resistência Afro-Baiana (Documentário)
O documentário “Samba de Santo – Resistência Afro-Baiana” explora a riqueza e a profundidade da cultura negra na Bahia, suas danças, ritmos e a forte conexão com a ancestralidade. A obra apresenta desde os blocos afros como Ilê Aiyê, Cortejo Afro e Bankoma, até os blocos de Carnaval nascidos em terreiros de candomblé, mostrando como essas manifestações são atos de resistência cultural, de celebração da identidade negra e de combate ao racismo que tenta deslegitimar essas expressões.
Dica de Uso na Redação: Para argumentar sobre a importância da cultura e da religiosidade de matriz africana como formas de resistência e preservação da identidade negra diante do racismo cultural.
28. Emicida
Leandro Roque de Oliveira, o Emicida, é um rapper, cantor e compositor brasileiro que se destaca por sua lírica profunda e reflexiva. Suas obras, como o aclamado álbum “AmarElo”, transcendem a música para abordar a história, a cultura e a luta da população negra, promovendo a autoestima e a conscientização sobre o racismo e as desigualdades sociais. Emicida é um dos grandes intelectuais do rap nacional, utilizando sua arte para dar visibilidade e representatividade à população negra e para questionar as estruturas do racismo cultural.
Dica de Uso na Redação: Para argumentar sobre a capacidade da música em resgatar a história e a identidade negra, combatendo o apagamento cultural e promovendo a reflexão crítica sobre o racismo.
Referências e textos motivadores para aprofundar
Estes textos podem servir como base para sua argumentação, oferecendo dados e perspectivas sobre o tema:
1) Raízes de Fé: quando a lei consente com a intoler&ância religiosa
Entre 1891 e 1946, mais de 500 objetos de religiões de matriz africana, especificamente de Candomblé e Umbanda, foram apreendidos pela polícia do estado do Rio de Janeiro, em contradição com a Carta Constitucional de 1891, do Brasil República, que já estabelecia o Estado laico e a liberdade de crença e culto. Para legitimar o confisco desses objetos, foram criados artigos que permitiam e incentivavam a denúncia e apreensão de objetos religiosos de matriz africana. Em 2023, foram registrados 1.478 casos de intolerância religiosa no Brasil. Os terreiros eram processados, fichados e denunciados por três artigos penais, Art.156, Art.157 e Art.158, que eram referentes à prática de espiritismo, curandeirismo e exercício ilegal da medicina.
A partir desses artigos, criou-se o projeto Liberte Nosso Sagrado: desarquivando memórias da repressão e da resistência das comunidades tradicionais de terreiros no Rio de Janeiro republicano (1889-1945), que envolve o Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCRJ), e o Programa de Pós-graduação em Hist&ória da Universidade Federal Fluminense (UFF). Os pesquisadores, por meio da análise de inquéritos policiais, buscam compreender as dinâmicas de apreensão de objetos religiosos e o impacto dessas ações nas comunidades tradicionais.
Disponível: https://agenciaescola.ufpr.br/raizes-de-fe-quando-a-lei-consente-com-a-intolerancia-religiosa/ (Adaptado).
2) Mais de 70% das cidades não cumprem lei do ensino afro-brasileiro
Sete em cada dez secretarias municipais de educação não realizaram nenhuma ação ou poucas ações para implementação do ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas, conforme pesquisa divulgada nesta terça-feira (18), em Brasília, pelo Instituto Alana e Geledés Instituto da Mulher Negra.
O estudo ouviu, em 2022, gestores de 1.187 secretarias municipais de educação, o que corresponde a 21% das redes de ensino dos municípios, sobre o cumprimento da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino para o combate ao racismo nas escolas há 20 anos.
Os municípios são os principais responsáveis pela educação básica. Do total, constatou-se que 29% das secretarias têm ações consistentes e perenes de atendimento à legislação; 53% fazem atividades esporádicas, projetos isolados ou em datas comemorativas, como no Dia da Consciência Negra (20 de novembro); e 18% não realizam nenhum tipo de ação. As secretarias que não adotam nenhuma ou poucas ações, juntas, somam 71%.
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2023-04/mais-de-70-das-cidades-nao-cumprem-lei-do-ensino-afro-brasileiro (Adaptado).
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